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© 2021 Lucas vital pesquisa
2005
v. 20, n. 1, p. 11-16, jan./abr
ção à proposta de ensino considerado tradicional e as configurações das aulas
favorecem momentos de interação, colaboração e envolvimento com as tecnolo-
gias digitais. O ensino híbrido configura-se como uma combinação metodológica
que impacta na ação do professor em situações de ensino e na ação dos estu-
dantes em situações de aprendizagem.
Chegamos então a um denominador comum: em cada situação de aprendiza-
gem nestes tempos pandêmicos, nossos alunos demonstram sua capacidade de
autoria em cada campo de atuação, seja contando histórias, seja defendendo
opiniões nas diversas plataformas utilizadas. Assim, segundo Bastos e Casa-
grande (2020), avaliando o regime da autoria de cada um, observamos novas
competências, sendo de interesse avaliar em que medida a autoria é requerida e
quais são os efeitos que produz em diferentes campos discursivos, neste
9
A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: O PAPEL DO PROFESSOR NA PERSPECTIVA DO ENSINO HÍBRIDO
Todas as Letras
, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021
DOI 10.5935/1980-6914/eLETDO2114607
DO
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IÊ
C
onsiderações
finais
Novos tempos requerem outras atitudes pedagógicas. O professor-contador
de histórias busca caminhos para continuar a ser um interessante formador de
opinião, atuante em seu papel como interlocutor ativo no despertar da consciên-
cia política e social de seus alunos.
Nossa intenção não é esgotar as infinitas possibilidades de se trabalhar com
essa estratégia que denominamos lúdico-pedagógica, porém o que se necessita
hoje é ter clareza do papel a ser desempenhado pelo professor como contador de
histórias, dada a nova realidade em que estamos inseridos. O ensino híbrido
está aí e veio para ficar. Junto ao conhecimento já estruturado do professor,
cabem novas formas de atuação, metodologias que tornem a escola mais desa-
fiadora, agora sustentada em outras perspectivas.
s
torytelling
:
the
role
of
the
teaCher
from
the
perspeCtive
of
hybrid
teaChing
Abstract:
This article aims to present the concept of storytelling, pointing out
some strategies used by the teacher as a storyteller, adapting his intentions in
relation to the interlocutors involved in the enunciative context, considering the
current moment of the Covid-19 pandemic, which presupposes the adoption of
hybrid teaching.
Keywords:
Storytelling. Interlocutors. Teachers. Hybrid teaching. Pandemic.
r
eferênCias
ABRAMOVICH, F.
Literatura infantil
: gostosuras e bobices. 5. ed. São Paulo:
Scipione, 2005 [1989].
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BASTOS, N. B.; CASAGRANDE, N. dos S. Língua Portuguesa: discursos lusófo-
nos: pedagógicos, políticos, culturais, literários e tecnológicos.
Cadernos de
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, São Paulo, v. 20, n. 1, p. 11-16, jan./abr. 2020.
BRASIL. Ministério da Educação.
Política nacional de educação infantil
: elos
direitos das crianças de zero a seis anos à educação. Brasília: Secretaria de
Educação Básica, 2006.
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Através da vidraça da escola
: formando novos leitores. 2. ed. Belo
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BUSATTO, C.
Contar e encantar
: pequenos grandes segredos da narrativa. Pe-
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: uma arte sem idade. 8. ed. São Paulo: Ática, 1999.
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híbrido de alemão no Brasil: uma tendência contemporânea desafiadora?.
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NEUSA MARIA OLIVEIRA BARBOSA BASTOS E NANCY DOS SANTOS CASAGRANDE
10
Todas as Letras
, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021
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Entrou por uma porta saiu por outra, quem quiser que conte outra
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mória e estímulo à imaginação.
Revista Eletrônica de Crítica e Teoria de Litera-
turas
, Porto Alegre, v. 4, n. 1, p. 1-8, jan./jun. 2008
A contação de histórias
O papel do professor na perspectiva do ensino híbrido
Neusa Maria Oliveira Barbosa BastosPontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), São Paulo, SP, Brasil
Nancy dos Santos CasagrandePontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP
Nancy dos Santos CasagrandePontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP
Palavras-chave: Contação de histórias, Interlocutores, Professores, Ensino híbrido, Pandemia
Resumo
Este artigo tem por objetivo apresentar o conceito de contação de histórias, apontando algumas estratégias utilizadas pelo professor na qualidade de contador de histórias, adequando suas intenções em relação aos interlocutores envolvidos no contexto enunciativo, considerando o momento atual de pandemia da
Resumo
Este artigo tem por objetivo apresentar o conceito de contação de histórias, apontando algumas estratégias utilizadas pelo professor na qualidade de contador de histórias, adequando suas intenções em relação aos interlocutores envolvidos no contexto enunciativo, considerando o momento atual de pandemia da COVID-19, que pressupõe a adoção do ensino híbrido.
Referências
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BRASIL. Ministério da
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Novidade (out02): FAQ
Novidade (set02): br.ispell 3.0 beta
Novidade: (jul02) Open Office
Esta � a vers�o 2.4 (outubro de 1999) do dicion�rio br.ispell do portugu�s falado no Brasil (talvez fosse melhor dizer vocabul�rio, no entanto o jarg�o do ispell � dictionary). Para obt�-lo, basta fazer o download do arquivo br.ispell-2.4.tar.gz aqui presente.
Este dicion�rio est� dispon�vel sob os termos da licen�a GNU GPL . Ele pode ser utilizado livremente por qualquer pessoa para fins de checagem ortogr�fica de quaisquer textos via ispell. Ele pode tamb�m ser utilizado livremente por qualquer pessoa para quaisquer outros fins, desde que o trabalho resultante permane�a livremente redistribu�vel.
Estamos fazendo o poss�vel para que o dicion�rio seja o mais completo e correto poss�vel, n�o obstante h� varios problemas conhecidos que est�o comentados ao longo destas p�ginas. Envie cr�ticas, d�vidas e coment�rios a ueda@ime.usp.br (Ricardo Ueda Karpischek).
Hist�rico
A primeira vers�o foi desenvolvida em 1995. Ela contava com um vocabul�rio relativamente extenso, mas com muitas lacunas. Na ocasi�o o Arnaldo Mandel sugeriu enriquec�-lo com outro
Hist�rico
A primeira vers�o foi desenvolvida em 1995. Ela contava com um vocabul�rio relativamente extenso, mas com muitas lacunas. Na ocasi�o o Arnaldo Mandel sugeriu enriquec�-lo com outro dicion�rio desenvolvido em Portugal (veja a p�gina do Jos� Jo�o Almeida), ap�s um trabalho de adapta��o. Esse trabalho come�ou a ser feito, mas acabamos n�o o completando.
De l� para c� diversas pessoas interessaram-se por esse dicion�rio, mas n�o pudemos fazer nada al�m de envi�-lo naquela forma incompleta e indicar o do Jos� Jo�o. A partir da segunda vers�o entretanto ele tornou-se bem mais completo e �til, e de l� para c� vem sendo continuamente aprimorado.
Desde a primeira vers�o os verbos foram tratados separadamente atrav�s do conjugue , que agora conta com um banco de 4000 verbos, e que � capaz de gerar as conjuga��es completas de todos eles. Para os demais voc�bulos mantemos suas ra�zes e as regras de flex�o em g�nero e grau, por exemplo
afilhad:a,as,o,os av�:,s
Entre as pessoas que ao longo do tempo colaboraram com os trabalhos das mais diversas formas est�o:
Alair Pereira do Lago (alair@ime.usp.br)
Alexandre Oliva (oliva@lsd.ic.unicamp.br)
Alair Pereira do Lago (alair@ime.usp.br)
Alexandre Oliva (oliva@lsd.ic.unicamp.br)
Arnaldo Mandel (am@ime.usp.br)
Carlos Alberto de Pian (carlos@trieste.fapesp.br)
Carlos Juiti Watanabe (juiti@ime.usp.br)
Cesar Scarpini Rabak (csrabak@ipt.br)
Fernando Rosendo (ileizch@technologist.com)
Daniel Martins (daniel@angola.grante.ufsc.br)
Dion�sio Bueno
Edson Sardella (sardella@email.fc.unesp.br)
Imre Simon (is@ime.usp.br)
Jacques Exelrud (exelrud@homeshopping.com.br)
Jos� Jo�o Almeida (jj@di.uminho.pt)
Jos� Artur Quilici Gonzalez (gonzalez@lme.usp.br)
Jorge L. deLyra (delyra@fma.if.usp.br)
Jo�o Carlos Mendes Luis (jonny@jonny.eng.br)
Ken Beesley (Ken.Beesley@xerox.fr)
Paulo Eduardo Neves (neves@inf.puc-rio.br)
Pedro Vazquez (vazquez@iqm.unicamp.br)
Rafael Laboissiere (rafael@icp.inpg.fr)
Rogerio Brito (rbrito@roger.net)
Roberto Hirata Jr (hirata@ee.tamu.edu)
Rosane de S� Amado
Marcelo A. Trindade (trindade@mec.puc-rio.br)
Marco Cabral (mcabral@labma.ufrj.br)
Marcos Tadeu (marcos@microlink.com.br)
Peter Lyman (plyman@sims.berkeley.edu)
Peter Lyman (plyman@sims.berkeley.edu)
Tomasz Kowaltowski (tomasz@dcc.unicamp.br)
Waldemar Ferreira Neto
Wanderlei Antonio Cavassin (cavassin@conectiva.com.br)
Yoshiharu Kohayakawa (yoshi@ime.usp.br)
�queles de quem eu eventualmente estiver esquecido pe�o desculpas; irei acrescent�-los � lista assim que me lembrar ou for lembrado dos seus nomes. O Wanderlei Cavassin montou o RPM do br.ispell para o Red Hat em portugu�s da Conectiva. O Rafael Laboissiere � o mantenedor do pacote ibrazilian da distribui��o Debian. O Jo�o Carlos Mendes Luis foi quem empacotou o br.ispell para o FreeBSD . Nestes tr�s sistemas operacionais (citados aqui na ordem cronol�gica dos empacotamentos) o br.ispell figura como componente oficial. O Alexandre Oliva adaptou o br.ispell para o formato do aspell e disponibilizou pacotes RPM em http://www.ic.unicamp.br/~oliva/snapshots/aspell-pt_BR/
Como Contribuir
Qualquer contribui��o, de qualquer pessoa, � bem-vinda e ser� inclu�da no dicion�rio. Contribui��es podem ser feitas na forma de listas de palavras ou de textos em l�ngua portuguesa. As pessoas que contribu�rem precisam estar cientes dos termos da licen�a GNU GPL e de acordo que o material que disponibilizarem seja inclu�do num dicion�rio distribu�do com essa licen�a. Em caso de d�vidas favor enviar um email para ueda@ime.usp.br.
Caracter�sticas e problemas
Este dicion�rio foi desenvolvido
principalmente atrav�s do levantamento manual, palavra por palavra, do vocabul�rio em uso no Brasil, ou ao menos aqui em S�o Paulo. Por esse motivo � natural que restem lacunas, que no entanto aos poucos v�o sendo preenchidas e s�o cada vez mais raras, a ponto de podermos dizer que o dicion�rio na sua atual forma est� pr�ximo de estar completo, no sentido de conter os termos de uso mais frequente.
A fim de facilitar o levantamento e a eventual revis�o vocabular, o trabalho foi desenvolvido organizando as palavras em classes sem�nticas, e acumulando as flex�es em g�nero e grau numa mesma entrada. Isso poder� tornar poss�vel no futuro a cria��o de diversas vers�es desse dicion�rios, espec�ficas para determinadas �reas do conhecimento. Seguem dois pequenos excertos do dicion�rio assim organizado:
# Cardinais um dois tr�s quatro cinco seis (etc) # La�os familiares afilhad:a,as,o,os av�:,s av� bisav:�,� bisnet:a,as,o,os (etc)
Um problema que permanece � a revis�o (por fazer) das conjuga��es dos verbos. Cerca de 80% do conte�do do dicion�rio n�o foi digitada ou coletada em textos, nem sequer revisada. Foi inferida heuristicamente atrav�s do conjugador de verbos conjugue . O trabalho de revis�o que necessita ser feito nesse campo � bastante amplo, n�o obstante muitos progressos vem sendo obtidos de forma localizada.
Open Office
Aten��o: o arquivo pt_BR.aff foi corrigido no dia 13/7/2002, se a sua c�pia for mais antiga fa�a um upgrade.
Aten��o: o arquivo pt_BR.dic foi corrigido
Aten��o: o arquivo pt_BR.dic foi corrigido no dia 19/7/2002, se a sua c�pia for mais antiga fa�a um upgrade.
V�rias pessoas perguntaram sobre o uso do br.ispell no Open Office. Eu estava aguardando que algu�m fizesse a convers�o, mas os emails come�aram a acumular-se. Assim, acabei escrevendo um script de convers�o. Para usar o br.ispell no Open Office s�o necess�rios apenas os dois arquivos seguintes:
Arquivo de afixos para o Open Office (gzip)
Dicion�rio para o Open Office (gzip)
Ou:
Os dois juntos, zipados
Para descomprimir os dois primeiros use o gunzip:
$ gunzip pt_BR.aff.gz $ gunzip pt_BR.dic.gz
Para que o openoffice opere com esses arquivos, siga as instru��es do mini-howto que se encontra em http://oobr.querencialivre.rs.gov.br e/ou siga a seguinte receita enviada pelo Cl�udio Ferreira Filho:
1) Descompacte os dois arquivos e copie os arquivos pt_BR.dic e pt_BR.aff para o diret�rio
Descompacte os dois arquivos e copie os arquivos pt_BR.dic e pt_BR.aff para o diret�rio <Dir_Install>\OpenOffice.org1.0\user\wordbook 2) Crie/edite o arquivo dictionary.lst, no mesmo diret�rio, adicionando a linha : DICT pt BR pt_BR 3)Entre no menu : Tools… +-> Options… +-> LanguageSetting: +-> Languages: Selecione Portugu�s do Brasil +-> WritingAids: no primeiro edit, use os menus e escolha a op��o Portugu�s (BR).
O Winston Leibon avisa: n�o esque�a de rodar o instalador de dicion�rios.
Al�m disso, o Olivier Hallot enviou-nos tamb�m o seguinte link: http://whiteboard.openoffice.org/lingucomponent/download_dictionary.html
Bem, com todas essas dicas acho que ficou f�cil…
Agrade�o todos os que contataram-me por conta desse assunto. Em particular, agrade�o ao Olivier Hallot, ao Cleber Gon�alves e ao Claudio Ferreira Filho, ao Winston Leibon e ao Nicolau A. S. Rodrigues.
Alguns links
P�gina do ispell: fmg-www.cs.ucla.edu/ficus-members/geoff/ispell.html
br.ispell: br.ispell-2.4.tar.gz
Arquivo affix br.aff do br.ispell.
DICT http://www.dict.org/ (cont�m apontadores para dicion�rios online).
P�gina do Jos� Jo�o Almeida: http://www.di.uminho.pt/~jj/pln/pln.html .
Recursos de Processamento Computacional da L�ngua Portuguesa http://www.linguateca.pt/recursos.html .
Projeto Tycho Brahe de portugu�s hist�rico http://www.ime.usp.br/tycho/
The Internet Dictionary Project http://www.june29.com/IDP/ .
Vocabul�rio Ortogr�fico da L�ngua Portuguesa, nova edi��o da Academia Brasileira de Letras http://www.academia.org.br/ortogra.htm .
Dicion�rio Universal da L�ngua
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Arquivo affix br.aff do br.ispell.
DICT http://www.dict.org/ (cont�m apontadores para dicion�rios online).
P�gina do Jos� Jo�o Almeida: http://www.di.uminho.pt/~jj/pln/pln.html .
Recursos de Processamento Computacional da L�ngua Portuguesa http://www.linguateca.pt/recursos.html .
Projeto Tycho Brahe de portugu�s hist�rico http://www.ime.usp.br/tycho/
The Internet Dictionary Project http://www.june29.com/IDP/ .
Vocabul�rio Ortogr�fico da L�ngua Portuguesa, nova edi��o da Academia Brasileira de Letras http://www.academia.org.br/ortogra.htm .
Dicion�rio Universal da L�ngua Portuguesa (vers�o online) http://www.priberam.pt/DLPO/ .
Um conjugador de verbos poliglota feito para mswindows (comercial): http://www.puterweb.com/conjugue/ . O conhecido tradutor Globalynk possui tamb�m um conjugador de verbos embutido.
Outros dois conjugadores de verbos: o “conver” ( http://jacui.inf.ufrgs.br/~emiliano/conver/index2.html ) e o “conjug” ( http://anonimo.isr.ist.utl.pt:8080/~etienne/conjug_form.html ).
O NUPILL possui muitas obras de Literatura em forma digital: http://www.cce.ufsc.br/~nupill .
Outras obras de literatura podem ser encontradas no site da Escola do Futuro:
Outras obras de literatura podem ser encontradas no site da Escola do Futuro: http://www.bibvirt.futuro.usp.br/acervo/literatura/obras.html.
Cam�es, Castro Alves e muitos outros est�o no Jornal da Poesia ( http://www.secrel.com.br/jpoesia/ ).
Projeto Joaquim Nabuco da UFPE, com alguns livros online: http://www.di.ufpe.br/~nabuco .
Parte da obra de Gon�alves Dias pode ser encontrada em http://www.gd.g12.br/port/gdias/poesias.html .
FLiP 3 online: http://www.flip3.pt/online (link indicado por Carlos Amaral da Priberam Inform�tica).
Dicion�rios da Porto Editora http://www.portoeditora.pt/dol/ (link indicado por Margarida Costa da Porto Editora).
Notas
1. O ispell mant�m o dicion�rio numa forma apropriada para a consulta ser eficiente. Esse � o arquivo br.hash, que deve ser colocado no diret�rio em que o ispell espera encontr�-lo (em geral /usr/lib/ispell). O arquivo .hash � constru�do a partir do arquivo “affix” (br.aff) que define as regras de aplica��o de afixos �s palavras, e da lista de palavras com indica��es de quais regras aplicar em cada palavra.
2. Para especificar o dicion�rio br ao ispell, use a op��o -d (por exemplo “ispell -d br texto.txt”). Voc� pode manter listas particulares de palavras, extendendo o .hash da distribui��o. Um modo simples de fazer isso � coloc�-las todas, uma por linha, num arquivo chamado .ispell_words no seu diret�rio home.
3. O Paulo Eduardo Neves nos mandou uma receita muito boa de como usar o ispell dentro do Emacs.
. O Marcelo Trindade e o Edson Sardella mandaram-nos algumas dicas sobre o uso do ispell e do br.ispell em ambientes DOS e WINDOWS:
Do Marcelo:
O Ispell for DOS/Windows (ispellw32.zip) que funciona em portugues (ou seja,
que aceita caracteres 8bit) pode ser encontrado na pagina seguinte:
http://www.ntg.nl/ispell-dutch96/
No entanto, tive dificuldade em montar o hash usando o buildhash incluido
neste zip. O que fiz entao foi compilar o hash usando os teus arquivos
(usando buildhash do ispell-3.1 UNIX) e o transferi para Windows.
Ele estah funcionando bem
para mim (em ingles, frances e portugues).
Do Edson:
Descobri um site onde pode podes encontrar o ispell32
para windows. Eh o chamado 4allTeX. Possui um apelo
grafico muito bacana.
http://4tex.ntg.nl
Outro corretor ortografico eh o do WinEdt. Funciona somente
com este (poderoso) editor de texto para (La)TeX e HTML.
Inclusive existe dicionario em portugues.
http://www.winedt.com
Do Daniel Martins
O
PAPEL
DO
PROFESSOR
NA
PERSPECTIVA
DO
ENSINO
HÍBRIDO
Neusa Maria Oliveira Barbosa Bastos
*
https://orcid.org/0000-0001-5529-4606
Nancy dos Santos Casagrande
**
https://orcid.org/0000-0003-1501-5216
Como citar este artigo:
BASTOS, N. M. O. B.; CASAGRANDE, N. dos S. A contação
de histórias: o papel do professor na perspectiva do ensino híbrido.
Todas as Le-
tras – Revista de Língua e Literatura
, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021.
DOI 10.5935/1980-6914/eLETDO2114607
Submissão:
junho de 2021.
Aceite:
junho de 2021.
Resumo:
Este artigo tem por objetivo apresentar o conceito de contação de his-
tórias, apontando algumas estratégias utilizadas pelo professor na qualidade de
contador de histórias, adequando suas intenções em relação aos interlocutores
envolvidos no contexto enunciativo, considerando o momento atual de pande-
mia da Covid-19, que pressupõe a adoção do ensino híbrido.
Palavras-chave:
Contação de histórias. Interlocutores. Professores. Ensino hí-
brido. Pandemia.
*
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), São Paulo, SP, Brasil.
E-mail
: nfbastos@pucsp.br
**
PUC-SP, São Paulo, SP, Brasil.
E-mail
: nancy.casagrande@gmail.com
3
A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: O PAPEL DO PROFESSOR NA PERSPECTIVA DO ENSINO HÍBRIDO
Todas as Letras
, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021
DOI 10.5935/1980-6914/eLETDO2114607
DO
SS
IÊ
apossarmo-nos de inimagináveis avanços tecnológicos” (SCHCOLNIC; BEZER-
RA, 2008, p. 10), entretanto, paramos para ouvir uma história bem contada ou
para contar uma história para uma criança ao colocá-la para dormir. As histó-
rias fazem parte do patrimônio da humanidade, com elas as crianças reconhe-
cem o fantástico, o “faz de conta”, e é por meio delas que constroem seu
psiquismo.
Nessa perspectiva, Sisto (2007, p. 39) afirma que a importância de contar
histórias está na união de muitas artes: “da literatura, da expressão corporal, da
poesia, da música, do teatro […]”, não existindo uma maneira única de contar
histórias, afinal cada contador conta a seu modo uma mesma história. Todavia,
essa atividade requer certas habilidades que se tornam essenciais, como conhe-
cimento acerca da história, a capacidade de estabelecer empatia entre os inter-
locutores, a preocupação com a linguagem não verbal, sem levar em conta,
ainda, o contexto atual, que requer a habilidade de se situar num tempo-espaço
diferenciado, em função da modalidade híbrida, adotada pela escola. Piza (2006,
p. 19) destaca, na atividade de contar histórias, a influência do “[…] narrar na
expressão do corpo, na tonalidade da voz e no olhar do contador para com os
seus ouvintes”. Dessa forma, Sisto (2012, p. 101) assevera que “[…] o contador
de histórias é um todo orgânico que se expressa pela voz, pelo corpo e pelas ex-
pressões faciais […]”.
É válido destacar que, de acordo com Busatto (2003, p. 9), “[…] o contador de
histórias empresta seu corpo, sua voz e seus afetos ao texto que ele narra, e o
texto deixa de ser signo para se tornar significado”. Nesse contexto, destaca-se
a importância de os professore-contadores de histórias dominarem o conheci-
mento de que a comunicação não verbal interfere forte e positivamente na reali-
zação da atividade de contar histórias.
Silva
et al
. (2000, p. 53) ressalta que a comunicação não verbal,
[…] exerce fascínio sobre a humanidade desde seus primórdios, pois envolve
todas as manifestações de comportamento não expressas por palavras, como
os gestos, expressões faciais, orientações do corpo, as posturas, a relação de
distância entre os indivíduos e, ainda, a organização dos objetos no espaço.
Lemos (2006, p. 3) destaca que “a comunicação não verbal é uma fonte mui-
to rica em mensagens que incide sobre a comunicação verbal […]”, posto que, os
sinais não verbais podem: confirmar, complementar ou mesmo contradizer a
mensagem verbalizada. Para Guiraud (2001), é por meio de gestos, expressão
facial, entoação de voz, postura, que os seres podem transmitir mensagens,
ideias e emoções. De acordo com o propósito, os códigos corporais sugerem di-
ferentes tipos, sendo eles: “[…] os substitutos da linguagem articulada, nos
quais o gesto e a mímica suprem os sons, linguagem dos surdos-mudos […]” e
os “[…] auxiliares da linguagem articulada, nos quais os gestos ou outros movi-
mentos do corpo acompanham a fala”, conforme Guiraud (2001, p. 6).
De acordo com as afirmações acima, Brenman (2012, p. 105) destaca que “as
entonações vocais registram uma infinidade de emoções, que são constante-
mente alimentadas pelas reações dos ouvintes”. O autor acrescenta ainda que
“a voz, por sua vez, não trabalha sozinha, ela reverbera em todo o corpo do con-
tador: os olhos, os gestos, a expressão facial. O narrador oral é um artista da voz
e do gesto”
eLETDO2114607
DO
SS
IÊ
Todo esse panorama torna evidente a estreita ligação entre os aspectos da
linguagem não verbal e a contação de histórias. Nesse sentido, é indiscutível que
a apropriação do conhecimento dessa linguagem amplia a percepção do profes-
sor como contador de histórias com relação às interações, aumentando a quali-
dade da atividade na hora do conto. É importante mencionar que contar histórias
requer um domínio do gênero teatral – cênico e dramático – em sua dimensão
performática, ainda que o foco maior seja apenas a voz e o texto, projetados no
espaço, para atingir uma plateia.
a
estrutura
da
Contação
de
histórias
Conteúdo
O ato de contar histórias é uma das práticas mais remotas de que se tem
registro da humanidade e se inicia muito antes da invenção da escrita. Suas
motivações são variadas, para se divertir, ensinar, rememorar, ou simplesmente
para passar o tempo. Os povos da Antiguidade contavam histórias para passa-
rem informação e assegurarem a perpetuação daquele conhecimento, assim,
elas eram passadas de geração a geração. Mesmo com toda a tecnologia, a tra-
dição do conto oral ainda se mantém. O ser humano conta histórias desde o
início do desenvolvimento das habilidades de comunicação e da fala. Esses mo-
mentos promoviam e, hoje, pode-se assegurar que ainda promovem, união, con-
fraternização e troca de experiências.
As histórias despertam a imaginação, as emoções, o interesse, as expectati-
vas… ouvir uma história e/ou contá-la e recontá-la é uma maneira de preservar
a cultura, os valores e compartilhar o conhecimento. O primeiro contato da
criança com o texto, geralmente, é por meio das histórias apresentadas, oral-
mente, por pais e familiares. Elas podem ser contadas em diversas ocasiões,
como ao acordar, durante uma tarde chuvosa, antes de dormir, preparando
para um sono tranquilo e restaurador… Essa prática é extremamente importante.
É o início do processo de aprendizagem.
Ouvir histórias desenvolve o pensamento crítico e oferece às crianças a pos-
sibilidade de conhecer um mundo encantador, mas também cheio de conflitos e
dificuldades que precisam ser enfrentados. Segundo o professor Josep Maria
Puig (1998, p. 69).
[…] a criança, quando ouve histórias, consegue perceber as diferenças que mos-
tram os personagens bons e maus, feios e bonitos, poderosos e fracos, facilita à
criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou do
convívio social. Através deles a criança incorpora valores que desde sempre re-
gem a vida humana.
Nas palavras de Abramovich (2005 [1989], p. 17)
É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes como: a
tristeza, a raiva, a irritação, o medo, a alegria, o pavor, a impotência, a insegu-
rança e tantas outras mais, e viver profundamente isso tudo que as narrativas
provocam e suscitam em quem as ouve ou as lê, com toda a amplitude, signifi-
cância e verdade que cada uma delas faz (ou não) brotar.
eLETDO2114607
DO
SS
IÊ
No ato da contação de histórias, a criança se identifica com os personagens.
Essa identificação desperta várias emoções e faz que ela externe seus sentimen-
tos e vença o medo, a angústia, a timidez. Além disso, a contação de histórias
aguça a curiosidade dos alunos e desperta-lhes o interesse em conhecer histó-
rias. A tendência é que se tornem habilidosos leitores, facilitando o processo
ensino-aprendizagem.
O hábito de ouvir histórias desde cedo ajuda na formação de identidades: no
momento da contação, estabelece-se uma relação de troca entre contador e
ouvintes, o que faz com que toda a bagagem cultural e afetiva desses ouvintes
venha à tona, assim, levando-os a ser quem são. “Contar histórias é uma arte
porque traz significações ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões
do ser” (BUSATTO, 2003, p. 10).
Forma
Nos estudos de Torres e Tettamanzy (2008, p. 5), tem-se pela expressão “con-
tação de histórias” que
[…] não existe gramaticalmente. O termo é uma expressão relativamente recen-
te, livremente traduzida e adaptada de países de língua castelhana “cuenta-
cuentos”, que pode significar tanto o ato de se contar histórias, quanto o próprio
contador. Na língua inglesa, temos o termo “Storytelling” que é o ato, ou capa-
cidade de se narrar um fato, ou história, de improviso, ou planejadamente,
usando diversos tipos de recursos, ou um apenas. Os termos que se encon-
tram fora do uso oficinal da língua, mesmo que nela não encontrem referência
nos dicionários e acordos ortográficos, sim, fazem parte da nossa língua, desde
que não seja um erro ortográfico, ou de construção verbal.
Coelho (1999, p. 47) afirma que
[…] antes de narrar a história deve-se abrir espaço para uma boa conversa. Por
exemplo, se a história gira em torno de animais domésticos e começa-se diaria-
mente, os ouvintes poderão interromper dizendo: eu também tenho um gato, um
cachorro, um passarinho, o que for.
A autora reforça que o espaço para as crianças falarem antes da narração é
indispensável. Nesse momento, o professor-contador conhece melhor as crian-
ças e concede-lhes a oportunidade de falar. Isso as acalma, preparando-as para
a aventura.
Coelho (1999) assevera que o contador precisa ser habilidoso, é necessário
“entrar” na história e levar junto todos os ouvintes. Diversos recursos, como
imagens, sons, instrumentos musicais, materiais alternativos, devem ser utili
–
zados para que o momento seja ainda mais aprazível. Algumas dicas e técnicas
também podem ajudar.
Outro fator bastante relevante para o processo de contação de histórias se
refere à linguagem corporal do contador, como a troca de olhares com os ouvin-
tes. As perguntas, durante a interação verbal, garantem a atenção dos ouvintes.
Para Abramovich (2005 [1989]), é necessário saber contar histórias.
[…] para a criança, não se pode fazer isso de qualquer jeito, pegando o primeiro
volume que se vê na estante… E aí, no decorrer da leitura, demonstrar que não
está familiarizado com uma ou outra palavra (ou com várias), empacar ao pro-
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No ato da contação de histórias, a criança se identifica com os personagens.
Essa identificação desperta várias emoções e faz que ela externe seus sentimen-
tos e vença o medo, a angústia, a timidez. Além disso, a contação de histórias
aguça a curiosidade dos alunos e desperta-lhes o interesse em conhecer histó-
rias. A tendência é que se tornem habilidosos leitores, facilitando o processo
ensino-aprendizagem.
O hábito de ouvir histórias desde cedo ajuda na formação de identidades: no
momento da contação, estabelece-se uma relação de troca entre contador e
ouvintes, o que faz com que toda a bagagem cultural e afetiva desses ouvintes
venha à tona, assim, levando-os a ser quem são. “Contar histórias é uma arte
porque traz significações ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões
do ser” (BUSATTO, 2003, p. 10).
Forma
Nos estudos de Torres e Tettamanzy (2008, p. 5), tem-se pela expressão “con-
tação de histórias” que
[…] não existe gramaticalmente. O termo é uma expressão relativamente recen-
te, livremente traduzida e adaptada de países de língua castelhana “cuenta-
cuentos”, que pode significar tanto o ato de se contar histórias, quanto o próprio
contador. Na língua inglesa, temos o termo “Storytelling” que é o ato, ou capa-
cidade de se narrar um fato, ou história, de improviso, ou planejadamente,
usando diversos tipos de recursos, ou um apenas. Os termos que se encon-
tram fora do uso oficinal da língua, mesmo que nela não encontrem referência
nos dicionários e acordos ortográficos, sim, fazem parte da nossa língua, desde
que não seja um erro ortográfico, ou de construção verbal.
Coelho (1999, p. 47) afirma que
[…] antes de narrar a história deve-se abrir espaço para uma boa conversa. Por
exemplo, se a história gira em torno de animais domésticos e começa-se diaria-
mente, os ouvintes poderão interromper dizendo: eu também tenho um gato, um
cachorro, um passarinho, o que for.
A autora reforça que o espaço para as crianças falarem antes da narração é
indispensável. Nesse momento, o professor-contador conhece melhor as crian-
ças e concede-lhes a oportunidade de falar. Isso as acalma, preparando-as para
a aventura.
Coelho (1999) assevera que o contador precisa ser habilidoso, é necessário
“entrar” na história e levar junto todos os ouvintes. Diversos recursos, como
imagens, sons, instrumentos musicais, materiais alternativos, devem ser utili
–
zados para que o momento seja ainda mais aprazível. Algumas dicas e técnicas
também podem ajudar.
Outro fator bastante relevante para o processo de contação de histórias se
refere à linguagem corporal do contador, como a troca de olhares com os ouvin-
tes. As perguntas, durante a interação verbal, garantem a atenção dos ouvintes.
Para Abramovich (2005 [1989]), é necessário saber contar histórias.
[…] para a criança, não se pode fazer isso de qualquer jeito, pegando o primeiro
volume que se vê na estante… E aí, no decorrer da leitura, demonstrar que não
está familiarizado com uma ou outra palavra (ou com várias
NEUSA MARIA OLIVEIRA BARBOSA BASTOS E NANCY DOS SANTOS CASAGRANDE
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, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021
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nunciar o nome dum determinado personagem ou lugar, mostrar que não perce-
beu o jeito que o autor construiu suas frases e dando as pausas nos lugares
errados, […] Por isso, ler o livro antes, bem lido, sentir como nos pega, nos emo-
ciona ou nos irrita […] assim quando chegar o momento de narrar a história, que
se passe a emoção verdadeira, aquela que vem lá de dentro, lá do fundinho, e
que por isso, chega no ouvinte […]
(ABRAMOVICH, 2005 [1989], p. 18-20).
Para se contar histórias, para que haja envolvimento de toda turma, pode-se
além do livro, fazer uso do teatro, de sons. As histórias permitem às crianças
maior proximidade devido às situações de impasse que surgem durante os en-
saios, escolha do personagem e onde se posicionar. Em tempos de pandemia,
vale todo e qualquer recurso para tornar a contação de histórias atraente e en-
cantadora. Para quem conta a história, do lado de cá da tela do computador,
valem vídeos, sons, imagens que despertam o interlocutor e o mantém atento
até o final.
Cabe ao professor, a tarefa de elaborar estratégias e técnicas, escolher o ma-
terial de acordo com a idade das crianças, o tom de voz, a postura, e planejar os
conhecimentos prévios para se promover objetivos de forma a contribuir na for-
mação dessas crianças.
Assim, devemos considerar os seguintes aspectos ao se contar histórias:
•
recreativo – a história como divertimento;
•
educativo – a história pode servir como uma lição, uma advertência ou um
conselho. Guardamos na memória essa história;
•
instrutivo – as histórias servem como fonte de ensinamentos científicos,
matemáticos, entre outros. Em Monteiro Lobato, vemos que a aritmética
pode ser aprendida de forma lúdica em uma de suas histórias;
•
religioso – as histórias prestaram e prestam grande contribuição à cul-
tura religiosa dos povos;
•
físico – as histórias produzem ação benéfica às pessoas enfermas, como
atividade de repouso e recreação.
Frente a essas considerações, tratar-se-á da contação de histórias a partir da
nova realidade que se nos apresenta: o ensino híbrido, entretanto, faz-se impor-
tante mencionar antes a questão da oralidade e de todo universo que a envolve
nessa atividade lúdico-pedagógica.
a
Contação
de
histórias
e
o
ensino
híbrido
A atividade linguística se realiza em ambiente social em determinada situa-
ção de comunicação. Desse modo, o texto deve ser compreendido como um pro-
cesso de comunicação e interação. No texto oral, os interlocutores prestam mais
atenção às especificidades que envolvem a situação comunicativa. Segundo
Marcuschi (1999, p. 15) “a interação verbal face a face resulta de um projeto
conjunto de interlocutores em atividades colaborativas e coordenadas de copro-
dução de sentido e não de uma simples interpretação semântica de enunciados
proferidos”. Assim, essa relação interativo-dialógica pressupõe: quem é o outro
a quem se fala ou se dirige a palavra; quais são as intenções estabelecidas pelo
compreensão; quais estratégias são utilizadas para compreender o outro e enca-
minhar a conversa adequadamente; e, por último, mas não menos importante,
como levar o outro a cooperar efetivamente no processo enunciativo da oralidade.
Entretanto, conforme discorre Marcuschi (1999, p. 19), as negociações apre-
sentam seus limites,
[…] embora a negociação seja um processo central para a produção de sentido
na interação verbal enquanto
projeto conjunto
, nem tudo é negociável. Por exem
–
plo, não negociamos crenças nem convicções, o que tem consequências por ve-
zes relevantes na continuidade de um tópico e pode ditar sua “morte”.
A partir dos pressupostos de Marcuschi (1999), podemos dizer que o proces-
so de negociação implica uma mobilização que vai além do linguístico instru-
mental e de normas e estratégias de uso da língua que são combinadas com
outras regras culturais, sociais e situacionais, conhecidas e utilizadas pelos fa-
lantes em evento conversacional. É importante destacar ainda que, durante o
processo de contar histórias, se insere um contexto social estabelecido pela ora-
lidade entre o discurso do contador de histórias e o texto oral produzido duran-
te a atividade enunciativa de contar histórias.
O texto não deve ser analisado como se fosse acabado, pois, por meio da in-
teração enunciador/enunciatário, o que foi exposto pelo contador de histórias
pode ser recontado pela perspectiva do enunciatário/ouvinte. Por essa razão, a
construção de sentido do texto é estabelecida em decorrência da ação coopera-
tiva dos envolvidos na interação e da cumplicidade entre enunciador e ouvinte,
que participam da mesma realidade histórica e social.
Nessa perspectiva, Marcuschi (1999, p. 34) aponta que o texto tem marcas
que se dão em atividades rituais – como olhares, movimentos do corpo, marca-
dores conversacionais que demonstram marcas de entoação, sinais de atenção,
monitoramento pelo contador de história, tentativa de formar imagens que pro-
duzam no ouvinte sensações em relação ao texto, o fluxo de fala com maior ou
menor velocidade –, que estão ligadas a três etapas básicas: planejamento, exe-
cução e revisão.
Mas a questão que se apresenta no contexto atual é: como o professor pode
trabalhar com a contação de histórias no ambiente virtual de aprendizagem, na
modalidade híbrida? Para responder a esse questionamento, faz-se necessário
trazer alguns pressupostos teóricos sobre o ensino híbrido. Recorremos a Moran
(2015, p. 41), que afirma ser o híbrido: “um conceito rico, apropriado e compli-
cado. Tudo pode ser misturado, combinado”, e que, em educação, isso significa
refletir sobre
“o que vale a pena aprender, para quê e como”.
Desse modo, o autor nos leva a considerar diversos questionamentos quando
do processo de ensino-aprendizagem, muito antes da pandemia da Covid-19,
lançando as perguntas:
Que conteúdos, competências e valores escolher, numa sociedade tão multicul-
tural? O que faz sentido aprender num mundo tão heterogêneo e mutante?
Podemos ensinar a mudar se nós mesmos, os gestores e docentes, temos tantas
dificuldades em tomar decisões, em evoluir, em sermos coerentes, livres, reali-
zados? Podemos ensinar de verdade, se não praticamos o que ensinamos?
(MORAN, 2015, p. 41).
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Como responder a essas questões tão complexas, se neste contexto em que
vivemos o planejamento reveste-se apenas de mais um documento a ser arqui-
vado? O que ensinar, como e para quê serão os eixos norteadores dessa prática
tão “inovadora”?
Nesse âmbito, Garcia, Redel e Martiny (2021, p. 144) afirmam:
Independentemente de cada maneira, o modelo híbrido de educação rompe com
a perspectiva mais tradicional de ensino em que o estudante é um agente mera-
mente passivo em sala de aula, que apenas recebe o conhecimento. Assim,
mediante o emprego de metodologias ativas, a proposta pedagógica na perspec-
tiva híbrida objetiva que o participante assuma uma postura mais atuante,
tomando decisões e direcionando seu conhecimento por meio de recursos tecno-
lógicos interativos, em momentos mais individuais e, em outros, com vistas ao
diálogo com colegas, instrutores e docentes.
Considerando a perspectiva dos autores, como deve proceder, então, o pro-
fessor-contador de histórias? O jogo interativo, tônica dessa estratégia de ensi-
no, requer muito mais do que vozes e gestos. Nessa nova dimensão, há dois
grupos de interlocutores: os que estão
in loco
,
na sala de aula, e os que estão
atrás da tela do computador. Torna-se o professor-contador um mediador de
metodologias ativas que espera a atenção da turma “presencial” e da “virtual” no
ambiente digital. Tudo o que se conhecia em termos de metodologia cai por terra
nessa nova configuração. Dito isso, afirma Moran (2015, p. 43):
Híbrido
também pode ser um currículo mais flexível, que planeje o que é bási-
co e fundamental para todos e que permita, ao mesmo tempo, caminhos per
–
sonalizados para atender às necessidades de cada aluno. Híbrido também é
a articulação de processos mais formais de ensino e aprendizagem com os
informais, de educação aberta e em rede. Híbrido implica em misturar e inte-
grar áreas diferentes, profissionais diferentes e alunos diferentes, em espaços
e tempos diferentes.
Nessa vertente, caberá ao professor-contador de histórias encontrar cami-
nhos que possam tornar essa atividade ainda mais atraente, sem perder de
vista os dois grupos a que se dirige. Dessa forma, de acordo com Bacich, Tanzi
Neto e Trevisani (2015, p. 74), no ensino híbrido:
O papel desempenhado pelo professor e pelos alunos sofre alterações em rela-
ção à proposta de ensino considerado tradicional e as configurações das aulas
favorecem momentos de interação, colaboração e envolvimento com as tecnolo-
gias digitais. O ensino híbrido configura-se como uma combinação metodológica
que impacta na ação do professor em situações de ensino e na ação dos estu-
dantes em situações de aprendizagem.
Chegamos então a um denominador comum: em cada situação de aprendiza-
ção à proposta de ensino considerado tradicional e as configurações das aulas
favorecem momentos de interação, colaboração e envolvimento com as tecnolo-
gias digitais. O ensino híbrido configura-se como uma combinação metodológica
que impacta na ação do professor em situações de ensino e na ação dos estu-
dantes em situações de aprendizagem.
Chegamos então a um denominador comum: em cada situação de aprendiza-
gem nestes tempos pandêmicos, nossos alunos demonstram sua capacidade de
autoria em cada campo de atuação, seja contando histórias, seja defendendo
opiniões nas diversas plataformas utilizadas. Assim, segundo Bastos e Casa-
grande (2020), avaliando o regime da autoria de cada um, observamos novas
competências, sendo de interesse avaliar em que medida a autoria é requerida e
quais são os efeitos que produz em diferentes campos discursivos, neste
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A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: O PAPEL DO PROFESSOR NA PERSPECTIVA DO ENSINO HÍBRIDO
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C
onsiderações
finais
Novos tempos requerem outras atitudes pedagógicas. O professor-contador
de histórias busca caminhos para continuar a ser um interessante formador de
opinião, atuante em seu papel como interlocutor ativo no despertar da consciên-
cia política e social de seus alunos.
Nossa intenção não é esgotar as infinitas possibilidades de se trabalhar com
essa estratégia que denominamos lúdico-pedagógica, porém o que se necessita
hoje é ter clareza do papel a ser desempenhado pelo professor como contador de
histórias, dada a nova realidade em que estamos inseridos. O ensino híbrido
está aí e veio para ficar. Junto ao conhecimento já estruturado do professor,
cabem novas formas de atuação, metodologias que tornem a escola mais desa-
fiadora, agora sustentada em outras perspectivas.
s
torytelling
:
the
role
of
the
teaCher
from
the
perspeCtive
of
hybrid
teaChing
Abstract:
This article aims to present the concept of storytelling, pointing out
some strategies used by the teacher as a storyteller, adapting his intentions in
relation to the interlocutors involved in the enunciative context, considering the
current moment of the Covid-19 pandemic, which presupposes the adoption of
hybrid teaching.
Keywords:
Storytelling. Interlocutors. Teachers. Hybrid teaching. Pandemic.
r
eferênCias
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Scipione, 2005 [1989].
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NEUSA MARIA OLIVEIRA BARBOSA BASTOS E NANCY DOS SANTOS CASAGRANDE
10
Todas as Letras
, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021
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Revista Eletrônica de Crítica e Teoria de Litera-
turas
, Porto Alegre, v. 4, n. 1, p. 1-8, jan./jun. 2008
A contação de histórias
O papel do professor na perspectiva do ensino híbrido
Neusa Maria Oliveira Barbosa BastosPontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), São Paulo, SP, Brasil
Nancy dos Santos CasagrandePontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP
Nancy dos Santos CasagrandePontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, SP
Palavras-chave: Contação de histórias, Interlocutores, Professores, Ensino híbrido, Pandemia
Resumo
Este artigo tem por objetivo apresentar o conceito de contação de histórias, apontando algumas estratégias utilizadas pelo professor na qualidade de contador de histórias, adequando suas intenções em relação aos interlocutores envolvidos no contexto enunciativo, considerando o momento atual de pandemia da
Resumo
Este artigo tem por objetivo apresentar o conceito de contação de histórias, apontando algumas estratégias utilizadas pelo professor na qualidade de contador de histórias, adequando suas intenções em relação aos interlocutores envolvidos no contexto enunciativo, considerando o momento atual de pandemia da COVID-19, que pressupõe a adoção do ensino híbrido.
Referências
ABRAMOVICH, F. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 5. ed. São Paulo: Scipione, 2005 [1989].
BACICH, L.; TANZI NETO, A.; TREVISANI, F. de M. Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.
BASTOS, N. B.; CASAGRANDE, N. dos S. Língua Portuguesa: discursos lusófonos: pedagógicos, políticos, culturais, literários e tecnológicos. Cadernos de Pós-Graduação em Letras, São Paulo, v. 20, n. 1, p. 11-16, jan./abr. 2020.
BRASIL. Ministério da
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FEEDBACK
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Novidade (out02): FAQ
Novidade (set02): br.ispell 3.0 beta
Novidade: (jul02) Open Office
Esta � a vers�o 2.4 (outubro de 1999) do dicion�rio br.ispell do portugu�s falado no Brasil (talvez fosse melhor dizer vocabul�rio, no entanto o jarg�o do ispell � dictionary). Para obt�-lo, basta fazer o download do arquivo br.ispell-2.4.tar.gz aqui presente.
Este dicion�rio est� dispon�vel sob os termos da licen�a GNU GPL . Ele pode ser utilizado livremente por qualquer pessoa para fins de checagem ortogr�fica de quaisquer textos via ispell. Ele pode tamb�m ser utilizado livremente por qualquer pessoa para quaisquer outros fins, desde que o trabalho resultante permane�a livremente redistribu�vel.
Estamos fazendo o poss�vel para que o dicion�rio seja o mais completo e correto poss�vel, n�o obstante h� varios problemas conhecidos que est�o comentados ao longo destas p�ginas. Envie cr�ticas, d�vidas e coment�rios a ueda@ime.usp.br (Ricardo Ueda Karpischek).
Hist�rico
A primeira vers�o foi desenvolvida em 1995. Ela contava com um vocabul�rio relativamente extenso, mas com muitas lacunas. Na ocasi�o o Arnaldo Mandel sugeriu enriquec�-lo com outro
Hist�rico
A primeira vers�o foi desenvolvida em 1995. Ela contava com um vocabul�rio relativamente extenso, mas com muitas lacunas. Na ocasi�o o Arnaldo Mandel sugeriu enriquec�-lo com outro dicion�rio desenvolvido em Portugal (veja a p�gina do Jos� Jo�o Almeida), ap�s um trabalho de adapta��o. Esse trabalho come�ou a ser feito, mas acabamos n�o o completando.
De l� para c� diversas pessoas interessaram-se por esse dicion�rio, mas n�o pudemos fazer nada al�m de envi�-lo naquela forma incompleta e indicar o do Jos� Jo�o. A partir da segunda vers�o entretanto ele tornou-se bem mais completo e �til, e de l� para c� vem sendo continuamente aprimorado.
Desde a primeira vers�o os verbos foram tratados separadamente atrav�s do conjugue , que agora conta com um banco de 4000 verbos, e que � capaz de gerar as conjuga��es completas de todos eles. Para os demais voc�bulos mantemos suas ra�zes e as regras de flex�o em g�nero e grau, por exemplo
afilhad:a,as,o,os av�:,s
Entre as pessoas que ao longo do tempo colaboraram com os trabalhos das mais diversas formas est�o:
Alair Pereira do Lago (alair@ime.usp.br)
Alexandre Oliva (oliva@lsd.ic.unicamp.br)
Alair Pereira do Lago (alair@ime.usp.br)
Alexandre Oliva (oliva@lsd.ic.unicamp.br)
Arnaldo Mandel (am@ime.usp.br)
Carlos Alberto de Pian (carlos@trieste.fapesp.br)
Carlos Juiti Watanabe (juiti@ime.usp.br)
Cesar Scarpini Rabak (csrabak@ipt.br)
Fernando Rosendo (ileizch@technologist.com)
Daniel Martins (daniel@angola.grante.ufsc.br)
Dion�sio Bueno
Edson Sardella (sardella@email.fc.unesp.br)
Imre Simon (is@ime.usp.br)
Jacques Exelrud (exelrud@homeshopping.com.br)
Jos� Jo�o Almeida (jj@di.uminho.pt)
Jos� Artur Quilici Gonzalez (gonzalez@lme.usp.br)
Jorge L. deLyra (delyra@fma.if.usp.br)
Jo�o Carlos Mendes Luis (jonny@jonny.eng.br)
Ken Beesley (Ken.Beesley@xerox.fr)
Paulo Eduardo Neves (neves@inf.puc-rio.br)
Pedro Vazquez (vazquez@iqm.unicamp.br)
Rafael Laboissiere (rafael@icp.inpg.fr)
Rogerio Brito (rbrito@roger.net)
Roberto Hirata Jr (hirata@ee.tamu.edu)
Rosane de S� Amado
Marcelo A. Trindade (trindade@mec.puc-rio.br)
Marco Cabral (mcabral@labma.ufrj.br)
Marcos Tadeu (marcos@microlink.com.br)
Peter Lyman (plyman@sims.berkeley.edu)
Peter Lyman (plyman@sims.berkeley.edu)
Tomasz Kowaltowski (tomasz@dcc.unicamp.br)
Waldemar Ferreira Neto
Wanderlei Antonio Cavassin (cavassin@conectiva.com.br)
Yoshiharu Kohayakawa (yoshi@ime.usp.br)
�queles de quem eu eventualmente estiver esquecido pe�o desculpas; irei acrescent�-los � lista assim que me lembrar ou for lembrado dos seus nomes. O Wanderlei Cavassin montou o RPM do br.ispell para o Red Hat em portugu�s da Conectiva. O Rafael Laboissiere � o mantenedor do pacote ibrazilian da distribui��o Debian. O Jo�o Carlos Mendes Luis foi quem empacotou o br.ispell para o FreeBSD . Nestes tr�s sistemas operacionais (citados aqui na ordem cronol�gica dos empacotamentos) o br.ispell figura como componente oficial. O Alexandre Oliva adaptou o br.ispell para o formato do aspell e disponibilizou pacotes RPM em http://www.ic.unicamp.br/~oliva/snapshots/aspell-pt_BR/
Como Contribuir
Qualquer contribui��o, de qualquer pessoa, � bem-vinda e ser� inclu�da no dicion�rio. Contribui��es podem ser feitas na forma de listas de palavras ou de textos em l�ngua portuguesa. As pessoas que contribu�rem precisam estar cientes dos termos da licen�a GNU GPL e de acordo que o material que disponibilizarem seja inclu�do num dicion�rio distribu�do com essa licen�a. Em caso de d�vidas favor enviar um email para ueda@ime.usp.br.
Caracter�sticas e problemas
Este dicion�rio foi desenvolvido
principalmente atrav�s do levantamento manual, palavra por palavra, do vocabul�rio em uso no Brasil, ou ao menos aqui em S�o Paulo. Por esse motivo � natural que restem lacunas, que no entanto aos poucos v�o sendo preenchidas e s�o cada vez mais raras, a ponto de podermos dizer que o dicion�rio na sua atual forma est� pr�ximo de estar completo, no sentido de conter os termos de uso mais frequente.
A fim de facilitar o levantamento e a eventual revis�o vocabular, o trabalho foi desenvolvido organizando as palavras em classes sem�nticas, e acumulando as flex�es em g�nero e grau numa mesma entrada. Isso poder� tornar poss�vel no futuro a cria��o de diversas vers�es desse dicion�rios, espec�ficas para determinadas �reas do conhecimento. Seguem dois pequenos excertos do dicion�rio assim organizado:
# Cardinais um dois tr�s quatro cinco seis (etc) # La�os familiares afilhad:a,as,o,os av�:,s av� bisav:�,� bisnet:a,as,o,os (etc)
Um problema que permanece � a revis�o (por fazer) das conjuga��es dos verbos. Cerca de 80% do conte�do do dicion�rio n�o foi digitada ou coletada em textos, nem sequer revisada. Foi inferida heuristicamente atrav�s do conjugador de verbos conjugue . O trabalho de revis�o que necessita ser feito nesse campo � bastante amplo, n�o obstante muitos progressos vem sendo obtidos de forma localizada.
Open Office
Aten��o: o arquivo pt_BR.aff foi corrigido no dia 13/7/2002, se a sua c�pia for mais antiga fa�a um upgrade.
Aten��o: o arquivo pt_BR.dic foi corrigido
Aten��o: o arquivo pt_BR.dic foi corrigido no dia 19/7/2002, se a sua c�pia for mais antiga fa�a um upgrade.
V�rias pessoas perguntaram sobre o uso do br.ispell no Open Office. Eu estava aguardando que algu�m fizesse a convers�o, mas os emails come�aram a acumular-se. Assim, acabei escrevendo um script de convers�o. Para usar o br.ispell no Open Office s�o necess�rios apenas os dois arquivos seguintes:
Arquivo de afixos para o Open Office (gzip)
Dicion�rio para o Open Office (gzip)
Ou:
Os dois juntos, zipados
Para descomprimir os dois primeiros use o gunzip:
$ gunzip pt_BR.aff.gz $ gunzip pt_BR.dic.gz
Para que o openoffice opere com esses arquivos, siga as instru��es do mini-howto que se encontra em http://oobr.querencialivre.rs.gov.br e/ou siga a seguinte receita enviada pelo Cl�udio Ferreira Filho:
1) Descompacte os dois arquivos e copie os arquivos pt_BR.dic e pt_BR.aff para o diret�rio
Descompacte os dois arquivos e copie os arquivos pt_BR.dic e pt_BR.aff para o diret�rio <Dir_Install>\OpenOffice.org1.0\user\wordbook 2) Crie/edite o arquivo dictionary.lst, no mesmo diret�rio, adicionando a linha : DICT pt BR pt_BR 3)Entre no menu : Tools… +-> Options… +-> LanguageSetting: +-> Languages: Selecione Portugu�s do Brasil +-> WritingAids: no primeiro edit, use os menus e escolha a op��o Portugu�s (BR).
O Winston Leibon avisa: n�o esque�a de rodar o instalador de dicion�rios.
Al�m disso, o Olivier Hallot enviou-nos tamb�m o seguinte link: http://whiteboard.openoffice.org/lingucomponent/download_dictionary.html
Bem, com todas essas dicas acho que ficou f�cil…
Agrade�o todos os que contataram-me por conta desse assunto. Em particular, agrade�o ao Olivier Hallot, ao Cleber Gon�alves e ao Claudio Ferreira Filho, ao Winston Leibon e ao Nicolau A. S. Rodrigues.
Alguns links
P�gina do ispell: fmg-www.cs.ucla.edu/ficus-members/geoff/ispell.html
br.ispell: br.ispell-2.4.tar.gz
Arquivo affix br.aff do br.ispell.
DICT http://www.dict.org/ (cont�m apontadores para dicion�rios online).
P�gina do Jos� Jo�o Almeida: http://www.di.uminho.pt/~jj/pln/pln.html .
Recursos de Processamento Computacional da L�ngua Portuguesa http://www.linguateca.pt/recursos.html .
Projeto Tycho Brahe de portugu�s hist�rico http://www.ime.usp.br/tycho/
The Internet Dictionary Project http://www.june29.com/IDP/ .
Vocabul�rio Ortogr�fico da L�ngua Portuguesa, nova edi��o da Academia Brasileira de Letras http://www.academia.org.br/ortogra.htm .
Dicion�rio Universal da L�ngua
Alguns links
P�gina do ispell: fmg-www.cs.ucla.edu/ficus-members/geoff/ispell.html
br.ispell: br.ispell-2.4.tar.gz
Arquivo affix br.aff do br.ispell.
DICT http://www.dict.org/ (cont�m apontadores para dicion�rios online).
P�gina do Jos� Jo�o Almeida: http://www.di.uminho.pt/~jj/pln/pln.html .
Recursos de Processamento Computacional da L�ngua Portuguesa http://www.linguateca.pt/recursos.html .
Projeto Tycho Brahe de portugu�s hist�rico http://www.ime.usp.br/tycho/
The Internet Dictionary Project http://www.june29.com/IDP/ .
Vocabul�rio Ortogr�fico da L�ngua Portuguesa, nova edi��o da Academia Brasileira de Letras http://www.academia.org.br/ortogra.htm .
Dicion�rio Universal da L�ngua Portuguesa (vers�o online) http://www.priberam.pt/DLPO/ .
Um conjugador de verbos poliglota feito para mswindows (comercial): http://www.puterweb.com/conjugue/ . O conhecido tradutor Globalynk possui tamb�m um conjugador de verbos embutido.
Outros dois conjugadores de verbos: o “conver” ( http://jacui.inf.ufrgs.br/~emiliano/conver/index2.html ) e o “conjug” ( http://anonimo.isr.ist.utl.pt:8080/~etienne/conjug_form.html ).
O NUPILL possui muitas obras de Literatura em forma digital: http://www.cce.ufsc.br/~nupill .
Outras obras de literatura podem ser encontradas no site da Escola do Futuro:
Outras obras de literatura podem ser encontradas no site da Escola do Futuro: http://www.bibvirt.futuro.usp.br/acervo/literatura/obras.html.
Cam�es, Castro Alves e muitos outros est�o no Jornal da Poesia ( http://www.secrel.com.br/jpoesia/ ).
Projeto Joaquim Nabuco da UFPE, com alguns livros online: http://www.di.ufpe.br/~nabuco .
Parte da obra de Gon�alves Dias pode ser encontrada em http://www.gd.g12.br/port/gdias/poesias.html .
FLiP 3 online: http://www.flip3.pt/online (link indicado por Carlos Amaral da Priberam Inform�tica).
Dicion�rios da Porto Editora http://www.portoeditora.pt/dol/ (link indicado por Margarida Costa da Porto Editora).
Notas
1. O ispell mant�m o dicion�rio numa forma apropriada para a consulta ser eficiente. Esse � o arquivo br.hash, que deve ser colocado no diret�rio em que o ispell espera encontr�-lo (em geral /usr/lib/ispell). O arquivo .hash � constru�do a partir do arquivo “affix” (br.aff) que define as regras de aplica��o de afixos �s palavras, e da lista de palavras com indica��es de quais regras aplicar em cada palavra.
2. Para especificar o dicion�rio br ao ispell, use a op��o -d (por exemplo “ispell -d br texto.txt”). Voc� pode manter listas particulares de palavras, extendendo o .hash da distribui��o. Um modo simples de fazer isso � coloc�-las todas, uma por linha, num arquivo chamado .ispell_words no seu diret�rio home.
3. O Paulo Eduardo Neves nos mandou uma receita muito boa de como usar o ispell dentro do Emacs.
. O Marcelo Trindade e o Edson Sardella mandaram-nos algumas dicas sobre o uso do ispell e do br.ispell em ambientes DOS e WINDOWS:
Do Marcelo:
O Ispell for DOS/Windows (ispellw32.zip) que funciona em portugues (ou seja,
que aceita caracteres 8bit) pode ser encontrado na pagina seguinte:
http://www.ntg.nl/ispell-dutch96/
No entanto, tive dificuldade em montar o hash usando o buildhash incluido
neste zip. O que fiz entao foi compilar o hash usando os teus arquivos
(usando buildhash do ispell-3.1 UNIX) e o transferi para Windows.
Ele estah funcionando bem
para mim (em ingles, frances e portugues).
Do Edson:
Descobri um site onde pode podes encontrar o ispell32
para windows. Eh o chamado 4allTeX. Possui um apelo
grafico muito bacana.
http://4tex.ntg.nl
Outro corretor ortografico eh o do WinEdt. Funciona somente
com este (poderoso) editor de texto para (La)TeX e HTML.
Inclusive existe dicionario em portugues.
http://www.winedt.com
Do Daniel Martins
O
PAPEL
DO
PROFESSOR
NA
PERSPECTIVA
DO
ENSINO
HÍBRIDO
Neusa Maria Oliveira Barbosa Bastos
*
https://orcid.org/0000-0001-5529-4606
Nancy dos Santos Casagrande
**
https://orcid.org/0000-0003-1501-5216
Como citar este artigo:
BASTOS, N. M. O. B.; CASAGRANDE, N. dos S. A contação
de histórias: o papel do professor na perspectiva do ensino híbrido.
Todas as Le-
tras – Revista de Língua e Literatura
, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021.
DOI 10.5935/1980-6914/eLETDO2114607
Submissão:
junho de 2021.
Aceite:
junho de 2021.
Resumo:
Este artigo tem por objetivo apresentar o conceito de contação de his-
tórias, apontando algumas estratégias utilizadas pelo professor na qualidade de
contador de histórias, adequando suas intenções em relação aos interlocutores
envolvidos no contexto enunciativo, considerando o momento atual de pande-
mia da Covid-19, que pressupõe a adoção do ensino híbrido.
Palavras-chave:
Contação de histórias. Interlocutores. Professores. Ensino hí-
brido. Pandemia.
*
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), São Paulo, SP, Brasil.
E-mail
: nfbastos@pucsp.br
**
PUC-SP, São Paulo, SP, Brasil.
E-mail
: nancy.casagrande@gmail.com
3
A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: O PAPEL DO PROFESSOR NA PERSPECTIVA DO ENSINO HÍBRIDO
Todas as Letras
, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021
DOI 10.5935/1980-6914/eLETDO2114607
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apossarmo-nos de inimagináveis avanços tecnológicos” (SCHCOLNIC; BEZER-
RA, 2008, p. 10), entretanto, paramos para ouvir uma história bem contada ou
para contar uma história para uma criança ao colocá-la para dormir. As histó-
rias fazem parte do patrimônio da humanidade, com elas as crianças reconhe-
cem o fantástico, o “faz de conta”, e é por meio delas que constroem seu
psiquismo.
Nessa perspectiva, Sisto (2007, p. 39) afirma que a importância de contar
histórias está na união de muitas artes: “da literatura, da expressão corporal, da
poesia, da música, do teatro […]”, não existindo uma maneira única de contar
histórias, afinal cada contador conta a seu modo uma mesma história. Todavia,
essa atividade requer certas habilidades que se tornam essenciais, como conhe-
cimento acerca da história, a capacidade de estabelecer empatia entre os inter-
locutores, a preocupação com a linguagem não verbal, sem levar em conta,
ainda, o contexto atual, que requer a habilidade de se situar num tempo-espaço
diferenciado, em função da modalidade híbrida, adotada pela escola. Piza (2006,
p. 19) destaca, na atividade de contar histórias, a influência do “[…] narrar na
expressão do corpo, na tonalidade da voz e no olhar do contador para com os
seus ouvintes”. Dessa forma, Sisto (2012, p. 101) assevera que “[…] o contador
de histórias é um todo orgânico que se expressa pela voz, pelo corpo e pelas ex-
pressões faciais […]”.
É válido destacar que, de acordo com Busatto (2003, p. 9), “[…] o contador de
histórias empresta seu corpo, sua voz e seus afetos ao texto que ele narra, e o
texto deixa de ser signo para se tornar significado”. Nesse contexto, destaca-se
a importância de os professore-contadores de histórias dominarem o conheci-
mento de que a comunicação não verbal interfere forte e positivamente na reali-
zação da atividade de contar histórias.
Silva
et al
. (2000, p. 53) ressalta que a comunicação não verbal,
[…] exerce fascínio sobre a humanidade desde seus primórdios, pois envolve
todas as manifestações de comportamento não expressas por palavras, como
os gestos, expressões faciais, orientações do corpo, as posturas, a relação de
distância entre os indivíduos e, ainda, a organização dos objetos no espaço.
Lemos (2006, p. 3) destaca que “a comunicação não verbal é uma fonte mui-
to rica em mensagens que incide sobre a comunicação verbal […]”, posto que, os
sinais não verbais podem: confirmar, complementar ou mesmo contradizer a
mensagem verbalizada. Para Guiraud (2001), é por meio de gestos, expressão
facial, entoação de voz, postura, que os seres podem transmitir mensagens,
ideias e emoções. De acordo com o propósito, os códigos corporais sugerem di-
ferentes tipos, sendo eles: “[…] os substitutos da linguagem articulada, nos
quais o gesto e a mímica suprem os sons, linguagem dos surdos-mudos […]” e
os “[…] auxiliares da linguagem articulada, nos quais os gestos ou outros movi-
mentos do corpo acompanham a fala”, conforme Guiraud (2001, p. 6).
De acordo com as afirmações acima, Brenman (2012, p. 105) destaca que “as
entonações vocais registram uma infinidade de emoções, que são constante-
mente alimentadas pelas reações dos ouvintes”. O autor acrescenta ainda que
“a voz, por sua vez, não trabalha sozinha, ela reverbera em todo o corpo do con-
tador: os olhos, os gestos, a expressão facial. O narrador oral é um artista da voz
e do gesto”
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Todo esse panorama torna evidente a estreita ligação entre os aspectos da
linguagem não verbal e a contação de histórias. Nesse sentido, é indiscutível que
a apropriação do conhecimento dessa linguagem amplia a percepção do profes-
sor como contador de histórias com relação às interações, aumentando a quali-
dade da atividade na hora do conto. É importante mencionar que contar histórias
requer um domínio do gênero teatral – cênico e dramático – em sua dimensão
performática, ainda que o foco maior seja apenas a voz e o texto, projetados no
espaço, para atingir uma plateia.
a
estrutura
da
Contação
de
histórias
Conteúdo
O ato de contar histórias é uma das práticas mais remotas de que se tem
registro da humanidade e se inicia muito antes da invenção da escrita. Suas
motivações são variadas, para se divertir, ensinar, rememorar, ou simplesmente
para passar o tempo. Os povos da Antiguidade contavam histórias para passa-
rem informação e assegurarem a perpetuação daquele conhecimento, assim,
elas eram passadas de geração a geração. Mesmo com toda a tecnologia, a tra-
dição do conto oral ainda se mantém. O ser humano conta histórias desde o
início do desenvolvimento das habilidades de comunicação e da fala. Esses mo-
mentos promoviam e, hoje, pode-se assegurar que ainda promovem, união, con-
fraternização e troca de experiências.
As histórias despertam a imaginação, as emoções, o interesse, as expectati-
vas… ouvir uma história e/ou contá-la e recontá-la é uma maneira de preservar
a cultura, os valores e compartilhar o conhecimento. O primeiro contato da
criança com o texto, geralmente, é por meio das histórias apresentadas, oral-
mente, por pais e familiares. Elas podem ser contadas em diversas ocasiões,
como ao acordar, durante uma tarde chuvosa, antes de dormir, preparando
para um sono tranquilo e restaurador… Essa prática é extremamente importante.
É o início do processo de aprendizagem.
Ouvir histórias desenvolve o pensamento crítico e oferece às crianças a pos-
sibilidade de conhecer um mundo encantador, mas também cheio de conflitos e
dificuldades que precisam ser enfrentados. Segundo o professor Josep Maria
Puig (1998, p. 69).
[…] a criança, quando ouve histórias, consegue perceber as diferenças que mos-
tram os personagens bons e maus, feios e bonitos, poderosos e fracos, facilita à
criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou do
convívio social. Através deles a criança incorpora valores que desde sempre re-
gem a vida humana.
Nas palavras de Abramovich (2005 [1989], p. 17)
É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes como: a
tristeza, a raiva, a irritação, o medo, a alegria, o pavor, a impotência, a insegu-
rança e tantas outras mais, e viver profundamente isso tudo que as narrativas
provocam e suscitam em quem as ouve ou as lê, com toda a amplitude, signifi-
cância e verdade que cada uma delas faz (ou não) brotar.
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No ato da contação de histórias, a criança se identifica com os personagens.
Essa identificação desperta várias emoções e faz que ela externe seus sentimen-
tos e vença o medo, a angústia, a timidez. Além disso, a contação de histórias
aguça a curiosidade dos alunos e desperta-lhes o interesse em conhecer histó-
rias. A tendência é que se tornem habilidosos leitores, facilitando o processo
ensino-aprendizagem.
O hábito de ouvir histórias desde cedo ajuda na formação de identidades: no
momento da contação, estabelece-se uma relação de troca entre contador e
ouvintes, o que faz com que toda a bagagem cultural e afetiva desses ouvintes
venha à tona, assim, levando-os a ser quem são. “Contar histórias é uma arte
porque traz significações ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões
do ser” (BUSATTO, 2003, p. 10).
Forma
Nos estudos de Torres e Tettamanzy (2008, p. 5), tem-se pela expressão “con-
tação de histórias” que
[…] não existe gramaticalmente. O termo é uma expressão relativamente recen-
te, livremente traduzida e adaptada de países de língua castelhana “cuenta-
cuentos”, que pode significar tanto o ato de se contar histórias, quanto o próprio
contador. Na língua inglesa, temos o termo “Storytelling” que é o ato, ou capa-
cidade de se narrar um fato, ou história, de improviso, ou planejadamente,
usando diversos tipos de recursos, ou um apenas. Os termos que se encon-
tram fora do uso oficinal da língua, mesmo que nela não encontrem referência
nos dicionários e acordos ortográficos, sim, fazem parte da nossa língua, desde
que não seja um erro ortográfico, ou de construção verbal.
Coelho (1999, p. 47) afirma que
[…] antes de narrar a história deve-se abrir espaço para uma boa conversa. Por
exemplo, se a história gira em torno de animais domésticos e começa-se diaria-
mente, os ouvintes poderão interromper dizendo: eu também tenho um gato, um
cachorro, um passarinho, o que for.
A autora reforça que o espaço para as crianças falarem antes da narração é
indispensável. Nesse momento, o professor-contador conhece melhor as crian-
ças e concede-lhes a oportunidade de falar. Isso as acalma, preparando-as para
a aventura.
Coelho (1999) assevera que o contador precisa ser habilidoso, é necessário
“entrar” na história e levar junto todos os ouvintes. Diversos recursos, como
imagens, sons, instrumentos musicais, materiais alternativos, devem ser utili
–
zados para que o momento seja ainda mais aprazível. Algumas dicas e técnicas
também podem ajudar.
Outro fator bastante relevante para o processo de contação de histórias se
refere à linguagem corporal do contador, como a troca de olhares com os ouvin-
tes. As perguntas, durante a interação verbal, garantem a atenção dos ouvintes.
Para Abramovich (2005 [1989]), é necessário saber contar histórias.
[…] para a criança, não se pode fazer isso de qualquer jeito, pegando o primeiro
volume que se vê na estante… E aí, no decorrer da leitura, demonstrar que não
está familiarizado com uma ou outra palavra (ou com várias), empacar ao pro-
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No ato da contação de histórias, a criança se identifica com os personagens.
Essa identificação desperta várias emoções e faz que ela externe seus sentimen-
tos e vença o medo, a angústia, a timidez. Além disso, a contação de histórias
aguça a curiosidade dos alunos e desperta-lhes o interesse em conhecer histó-
rias. A tendência é que se tornem habilidosos leitores, facilitando o processo
ensino-aprendizagem.
O hábito de ouvir histórias desde cedo ajuda na formação de identidades: no
momento da contação, estabelece-se uma relação de troca entre contador e
ouvintes, o que faz com que toda a bagagem cultural e afetiva desses ouvintes
venha à tona, assim, levando-os a ser quem são. “Contar histórias é uma arte
porque traz significações ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões
do ser” (BUSATTO, 2003, p. 10).
Forma
Nos estudos de Torres e Tettamanzy (2008, p. 5), tem-se pela expressão “con-
tação de histórias” que
[…] não existe gramaticalmente. O termo é uma expressão relativamente recen-
te, livremente traduzida e adaptada de países de língua castelhana “cuenta-
cuentos”, que pode significar tanto o ato de se contar histórias, quanto o próprio
contador. Na língua inglesa, temos o termo “Storytelling” que é o ato, ou capa-
cidade de se narrar um fato, ou história, de improviso, ou planejadamente,
usando diversos tipos de recursos, ou um apenas. Os termos que se encon-
tram fora do uso oficinal da língua, mesmo que nela não encontrem referência
nos dicionários e acordos ortográficos, sim, fazem parte da nossa língua, desde
que não seja um erro ortográfico, ou de construção verbal.
Coelho (1999, p. 47) afirma que
[…] antes de narrar a história deve-se abrir espaço para uma boa conversa. Por
exemplo, se a história gira em torno de animais domésticos e começa-se diaria-
mente, os ouvintes poderão interromper dizendo: eu também tenho um gato, um
cachorro, um passarinho, o que for.
A autora reforça que o espaço para as crianças falarem antes da narração é
indispensável. Nesse momento, o professor-contador conhece melhor as crian-
ças e concede-lhes a oportunidade de falar. Isso as acalma, preparando-as para
a aventura.
Coelho (1999) assevera que o contador precisa ser habilidoso, é necessário
“entrar” na história e levar junto todos os ouvintes. Diversos recursos, como
imagens, sons, instrumentos musicais, materiais alternativos, devem ser utili
–
zados para que o momento seja ainda mais aprazível. Algumas dicas e técnicas
também podem ajudar.
Outro fator bastante relevante para o processo de contação de histórias se
refere à linguagem corporal do contador, como a troca de olhares com os ouvin-
tes. As perguntas, durante a interação verbal, garantem a atenção dos ouvintes.
Para Abramovich (2005 [1989]), é necessário saber contar histórias.
[…] para a criança, não se pode fazer isso de qualquer jeito, pegando o primeiro
volume que se vê na estante… E aí, no decorrer da leitura, demonstrar que não
está familiarizado com uma ou outra palavra (ou com várias
NEUSA MARIA OLIVEIRA BARBOSA BASTOS E NANCY DOS SANTOS CASAGRANDE
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Todas as Letras
, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2021
DOI 10.5935/1980-6914/eLETDO2114607
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nunciar o nome dum determinado personagem ou lugar, mostrar que não perce-
beu o jeito que o autor construiu suas frases e dando as pausas nos lugares
errados, […] Por isso, ler o livro antes, bem lido, sentir como nos pega, nos emo-
ciona ou nos irrita […] assim quando chegar o momento de narrar a história, que
se passe a emoção verdadeira, aquela que vem lá de dentro, lá do fundinho, e
que por isso, chega no ouvinte […]
(ABRAMOVICH, 2005 [1989], p. 18-20).
Para se contar histórias, para que haja envolvimento de toda turma, pode-se
além do livro, fazer uso do teatro, de sons. As histórias permitem às crianças
maior proximidade devido às situações de impasse que surgem durante os en-
saios, escolha do personagem e onde se posicionar. Em tempos de pandemia,
vale todo e qualquer recurso para tornar a contação de histórias atraente e en-
cantadora. Para quem conta a história, do lado de cá da tela do computador,
valem vídeos, sons, imagens que despertam o interlocutor e o mantém atento
até o final.
Cabe ao professor, a tarefa de elaborar estratégias e técnicas, escolher o ma-
terial de acordo com a idade das crianças, o tom de voz, a postura, e planejar os
conhecimentos prévios para se promover objetivos de forma a contribuir na for-
mação dessas crianças.
Assim, devemos considerar os seguintes aspectos ao se contar histórias:
•
recreativo – a história como divertimento;
•
educativo – a história pode servir como uma lição, uma advertência ou um
conselho. Guardamos na memória essa história;
•
instrutivo – as histórias servem como fonte de ensinamentos científicos,
matemáticos, entre outros. Em Monteiro Lobato, vemos que a aritmética
pode ser aprendida de forma lúdica em uma de suas histórias;
•
religioso – as histórias prestaram e prestam grande contribuição à cul-
tura religiosa dos povos;
•
físico – as histórias produzem ação benéfica às pessoas enfermas, como
atividade de repouso e recreação.
Frente a essas considerações, tratar-se-á da contação de histórias a partir da
nova realidade que se nos apresenta: o ensino híbrido, entretanto, faz-se impor-
tante mencionar antes a questão da oralidade e de todo universo que a envolve
nessa atividade lúdico-pedagógica.
a
Contação
de
histórias
e
o
ensino
híbrido
A atividade linguística se realiza em ambiente social em determinada situa-
ção de comunicação. Desse modo, o texto deve ser compreendido como um pro-
cesso de comunicação e interação. No texto oral, os interlocutores prestam mais
atenção às especificidades que envolvem a situação comunicativa. Segundo
Marcuschi (1999, p. 15) “a interação verbal face a face resulta de um projeto
conjunto de interlocutores em atividades colaborativas e coordenadas de copro-
dução de sentido e não de uma simples interpretação semântica de enunciados
proferidos”. Assim, essa relação interativo-dialógica pressupõe: quem é o outro
a quem se fala ou se dirige a palavra; quais são as intenções estabelecidas pelo
compreensão; quais estratégias são utilizadas para compreender o outro e enca-
minhar a conversa adequadamente; e, por último, mas não menos importante,
como levar o outro a cooperar efetivamente no processo enunciativo da oralidade.
Entretanto, conforme discorre Marcuschi (1999, p. 19), as negociações apre-
sentam seus limites,
[…] embora a negociação seja um processo central para a produção de sentido
na interação verbal enquanto
projeto conjunto
, nem tudo é negociável. Por exem
–
plo, não negociamos crenças nem convicções, o que tem consequências por ve-
zes relevantes na continuidade de um tópico e pode ditar sua “morte”.
A partir dos pressupostos de Marcuschi (1999), podemos dizer que o proces-
so de negociação implica uma mobilização que vai além do linguístico instru-
mental e de normas e estratégias de uso da língua que são combinadas com
outras regras culturais, sociais e situacionais, conhecidas e utilizadas pelos fa-
lantes em evento conversacional. É importante destacar ainda que, durante o
processo de contar histórias, se insere um contexto social estabelecido pela ora-
lidade entre o discurso do contador de histórias e o texto oral produzido duran-
te a atividade enunciativa de contar histórias.
O texto não deve ser analisado como se fosse acabado, pois, por meio da in-
teração enunciador/enunciatário, o que foi exposto pelo contador de histórias
pode ser recontado pela perspectiva do enunciatário/ouvinte. Por essa razão, a
construção de sentido do texto é estabelecida em decorrência da ação coopera-
tiva dos envolvidos na interação e da cumplicidade entre enunciador e ouvinte,
que participam da mesma realidade histórica e social.
Nessa perspectiva, Marcuschi (1999, p. 34) aponta que o texto tem marcas
que se dão em atividades rituais – como olhares, movimentos do corpo, marca-
dores conversacionais que demonstram marcas de entoação, sinais de atenção,
monitoramento pelo contador de história, tentativa de formar imagens que pro-
duzam no ouvinte sensações em relação ao texto, o fluxo de fala com maior ou
menor velocidade –, que estão ligadas a três etapas básicas: planejamento, exe-
cução e revisão.
Mas a questão que se apresenta no contexto atual é: como o professor pode
trabalhar com a contação de histórias no ambiente virtual de aprendizagem, na
modalidade híbrida? Para responder a esse questionamento, faz-se necessário
trazer alguns pressupostos teóricos sobre o ensino híbrido. Recorremos a Moran
(2015, p. 41), que afirma ser o híbrido: “um conceito rico, apropriado e compli-
cado. Tudo pode ser misturado, combinado”, e que, em educação, isso significa
refletir sobre
“o que vale a pena aprender, para quê e como”.
Desse modo, o autor nos leva a considerar diversos questionamentos quando
do processo de ensino-aprendizagem, muito antes da pandemia da Covid-19,
lançando as perguntas:
Que conteúdos, competências e valores escolher, numa sociedade tão multicul-
tural? O que faz sentido aprender num mundo tão heterogêneo e mutante?
Podemos ensinar a mudar se nós mesmos, os gestores e docentes, temos tantas
dificuldades em tomar decisões, em evoluir, em sermos coerentes, livres, reali-
zados? Podemos ensinar de verdade, se não praticamos o que ensinamos?
(MORAN, 2015, p. 41).
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Como responder a essas questões tão complexas, se neste contexto em que
vivemos o planejamento reveste-se apenas de mais um documento a ser arqui-
vado? O que ensinar, como e para quê serão os eixos norteadores dessa prática
tão “inovadora”?
Nesse âmbito, Garcia, Redel e Martiny (2021, p. 144) afirmam:
Independentemente de cada maneira, o modelo híbrido de educação rompe com
a perspectiva mais tradicional de ensino em que o estudante é um agente mera-
mente passivo em sala de aula, que apenas recebe o conhecimento. Assim,
mediante o emprego de metodologias ativas, a proposta pedagógica na perspec-
tiva híbrida objetiva que o participante assuma uma postura mais atuante,
tomando decisões e direcionando seu conhecimento por meio de recursos tecno-
lógicos interativos, em momentos mais individuais e, em outros, com vistas ao
diálogo com colegas, instrutores e docentes.
Considerando a perspectiva dos autores, como deve proceder, então, o pro-
fessor-contador de histórias? O jogo interativo, tônica dessa estratégia de ensi-
no, requer muito mais do que vozes e gestos. Nessa nova dimensão, há dois
grupos de interlocutores: os que estão
in loco
,
na sala de aula, e os que estão
atrás da tela do computador. Torna-se o professor-contador um mediador de
metodologias ativas que espera a atenção da turma “presencial” e da “virtual” no
ambiente digital. Tudo o que se conhecia em termos de metodologia cai por terra
nessa nova configuração. Dito isso, afirma Moran (2015, p. 43):
Híbrido
também pode ser um currículo mais flexível, que planeje o que é bási-
co e fundamental para todos e que permita, ao mesmo tempo, caminhos per
–
sonalizados para atender às necessidades de cada aluno. Híbrido também é
a articulação de processos mais formais de ensino e aprendizagem com os
informais, de educação aberta e em rede. Híbrido implica em misturar e inte-
grar áreas diferentes, profissionais diferentes e alunos diferentes, em espaços
e tempos diferentes.
Nessa vertente, caberá ao professor-contador de histórias encontrar cami-
nhos que possam tornar essa atividade ainda mais atraente, sem perder de
vista os dois grupos a que se dirige. Dessa forma, de acordo com Bacich, Tanzi
Neto e Trevisani (2015, p. 74), no ensino híbrido:
O papel desempenhado pelo professor e pelos alunos sofre alterações em rela-
ção à proposta de ensino considerado tradicional e as configurações das aulas
favorecem momentos de interação, colaboração e envolvimento com as tecnolo-
gias digitais. O ensino híbrido configura-se como uma combinação metodológica
que impacta na ação do professor em situações de ensino e na ação dos estu-
dantes em situações de aprendizagem.
Chegamos então a um denominador comum: em cada situação de aprendiza-
http://www.ic.unicamp.br/~oliva/snapshots/aspell-pt_BR/
http://whiteboard.openoffice.org/lingucomponent/download_dictionary.html
ueda@ime.usp.bralair@ime.usp.bram@ime.usp.broliva@lsd.ic.unicamp.brcarlos@trieste.fapesp.brjuiti@ime.usp.brileizch@technologist.comcsrabak@ipt.brdaniel@angola.grante.ufsc.brsardella@email.fc.unesp.brileizch@technologist.comdaniel@angola.grante.ufsc.bris@ime.usp.brjj@di.uminho.ptsardella@email.fc.unesp.brexelrud@homeshopping.com.brgonzalez@lme.usp.brjonny@jonny.eng.brneves@inf.puc-rio.brdelyra@fma.if.usp.brKen.Beesley@xerox.frvazquez@iqm.unicamp.brrbrito@roger.nettrindade@mec.puc-rio.brrafael@icp.inpg.frhirata@ee.tamu.edumcabral@labma.ufrj.brcavassin@conectiva.com.brhttp://www.ic.unicamp.br/~oliva/snapshots/aspell-pt_BR/tomasz@dcc.unicamp.bryoshi@ime.usp.br
Dia da Independência (Brasil)
feriado nacional brasileiro do dia da independência
O Dia da Independência (também chamado Dia da Independência do Brasil, Sete de setembro, e Dia da Pátria) é um feriado nacional do Brasil celebrado no dia 7 de setembro de cada ano. A data comemora a Declaração de Independência do Brasil do Império Português no dia 7 de setembro de 1822.
| Dia da Independência |
|---|
mimosense | |
| Localização | |
|---|---|
| Localização de Mimoso do Sul no Espírito Santo | |
| Wikimedia | © OpenStreetMapMapa de Mimoso do Sul | |
| Coordenadas | 21° 03′ 50″ S 41° 21′ 57″ O |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Espírito Santo |
| Municípios limítrofes | Campos dos Goytacazes, Bom Jesus do Itabapoana, Muqui, Alegre, Atílio Vivácqua, Presidente Kennedy, Apiacá, São José do Calçado, São Francisco de Itabapoana, Jerônimo Monteiro |
| Distância até a capital | 173 |
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Mimoso do Sul
Mimoso do Sul é um município brasileiro do estado do Espírito Santo.
| Mimoso do Sul |
|---|
| Município do Brasil |
| Símbolos |
Bandeira Brasão de armas |
| Hino |
| Gentílico |
História
Situada no extremo Sul do ES, Mimoso do Sul recebeu muitos imigrantes italianos. Já recebeu as denominações de Ponte de Itabapoana, Monjardim, João Pessoa e São Pedro, entre outros, até o nome atual. Tem grande potencial de crescimento, privilegiada pela sua posição geográfica fica a 44 km de Cachoeiro de Itapemirim, 87 km de Campos dos Goytacazes – RJ e 173 km de Vitória, com grande facilidade de entrada e escoamento de produtos, é a principal produtora de café do Sul do Espírito Santo, sendo o café e a agropecuária de corte e leiteira, a principal fonte de renda da cidade desde o século XIX. As indústrias da cidade basem-se em beneficiamento de Mármore e Granito. Nascida entre montanhas, de topografia acidentada, rica em minerais, pedras preciosas e água doce, de clima agradável e com vários pontos turísticos.
Geografia
Mimoso está localizado a 173 km de Vitória, na mesorregião Sul Espírito-santense. Seu relevo é relativamente acidentado com 69% de sua área acima dos 600m. Possui 885 km de extensão territorial sendo a terceiro maior em extensão territorial do Sul do ES, perdendo apenas para Afonso Cláudio e Cachoeiro de Itapemirim.[carece de fontes]
Os pontos mais altos são: Pontões com 1.438 metros de altitude, localizado no distrito de Conceição do Muqui. O pico do Estrela Dalva com 1.110 metros de altitude, e Pico do Farol com 1.005 metros de altitude, todos inseridos no Monumento Natural Estadual de Serra das Torres localizada no distrito São José das Torres e o pico da Torre de TV com 700 metros de altitude, localizado em Mimoso do Sul. Com sua formação rochosa e arenosa e argilosa, a estrutura física de Mimoso vem sofrendo diversas erosões, apresentando grandes deslisamentos de terra e rochas nos períodos de chuvas fortes.
Hidrografia
Quatro rios banham o município de Mimoso do Sul: Muqui do Sul, Itabapoana, Preto e São Pedro.
O rio Muqui do Sul é por sua vez o mais importante do município por abastecer cerca de 70% da população, por cortar três distritos como Conceição do Muqui, Santo Antônio do Muqui e a Sede Municípal, incluindo o centro de Mimoso do Sul. Sua nascente de encontra no Córrego das Almas na comunidade do Oriente, distrito de Conceição do Muqui. Cortando montanhosas, vales e planícies até sua foz no Rio Itabapoana. No século XIX, o Muqui do Sul era navegável por embarcações pequenas desde o antigo Porto da Prata, a poucos quilômetros do centro, até o Porto de Limeira, no Rio Itabapana no distrito de Dona América. No percurso de norte a sul do rio, conta-se com 17 quedas d’água, que vêm sendo aproveitadas para produção de energia elétrica, onde se encontram duas usinas no Rio Muqui do Sul (Usina Rubens Rangel e Usina Aparecida) hoje desativadas e em ruínas.
O Itabapoana localizado no sul do município na divisa com o estado do Rio de Janeiro, corta três distritos mimosense: Ponte do Itabapoana, Dona América e São José das Torres. Sendo também o principal rio da bacia do Itabapoana. Por banhar grandes áreas de planícies de Mimoso, o Itabapoana era navegável desde Limeira, até sua foz no Atlântico em Barra do Itabapoana – RJ, tendo este percurso uma extensão aproximada de 50 km. A navegação era irregular onde eram empregadas embarcações de pequeno calado. O Rio Itabapoana em terras mimosenses, abriga diversas belezas naturais como a Cachoeira das Garças (antiga Cachoeira do Inferno). Atualmente acima da cachoeira encontra-se a PCH I Pedra do Garrafão (Pequenas Centrais Hidrelétricas I Pedra do Garrafão) resposável pelo abastecimento de energia em Mimoso, Apiacá e parte do estado do Rio.
Outros rios de destaque são o Rio Preto, que nasce da Serra das Torres e serve de limites entre os municípios de Mimoso do Sul e Presidente Kennedy, desaguando no Rio Itabapoana. Sendo este rio também famoso pela pesca de piabanhas. Destaca-se também em Mimoso o rio São Pedro, que tem sua nascente próxima ao distrito de São Pedro do Itabapoana. Cortando vais áreas de pastagens e agrícolas até desaguar no Itabapoana próximo a PCH I Pedra do Garrafão.
Rodovias
Ferrovias
- Linha do Litoral da antiga Estrada de Ferro Leopoldina [5]
Distâncias
- Vitória: 173 km
- Colatina: 287 km
- Linhares: 310 km
- Cachoeiro de Itapemirim: 44 km (via Rodovia Ely Junqueira), 56 km (via BR-101)
- Muqui: 15 km
- Rio de Janeiro: 328 km
- Belo Horizonte: 355 km
Subdivisões
Distritos
| DISTRITOS | POP. URBANA(2009) | POP. RURAL(2009) | TOTAL |
|---|---|---|---|
| Conceição do Muqui | 394 | 4.418 | 4.812 |
| Santo Antônio do Muqui | 328 | 1.015 | 1.343 |
| São Pedro do Itabapoana | 325 | 1.009 | 1.334 |
| Mimoso do Sul | 10.960 | 2.952 | 13.912 |
| Dona América | 30 | 609 | 639 |
| São José das Torres | 528 | 2.069 | 2.597 |
| Ponte do Itabapoana | 718 | 844 | 1.562 |
Bairros
Alto São Sebastião, Vila da Penha, Centro, Funil, Mangueira, Santa Marta, Morro da Palha, Vista Alegre, Cidade Nova, Pombal, Monte Cristo, Campestre, Serra, Santa Terezinha, Serrano, Serrano II, Village da Serra, Recanto da Serra, Itapuã, Café Moca, Pratinha, Recanto Verde, Vila Rica, Recanto Vista Alegre.
Economia
A economia de Mimoso do Sul é totalmente voltada para o comércio e para o setor agropecuário. Onde se baseia nas agriculturas do café arábica nas regiões mais baixas do município e café conilon nas áreas de montanhas. Também se destacam outras lavouras permanentes como laranja, banana, goiaba, coco-da-bahia, palmito, e também as lavouras temporárias como arroz, feijão, mandioca e milho.
Outra fonte econômica em destaque é a pecuária leiteira, que chega em torno de 14.000 litros por ano. Mimoso é um dos municípios capixabas com maior número de cabeças de gado, cerca de 59.000 cabeças. Se destacam também a pecuária suína, equína, bubalina e aviária.
A produção industrial de Mimoso do Sul basea-se nos setores de rochas ornamentais como o mármore e o granito, cuja produção é voltada para o mercado interno e externo como, Japão, Itália e Estados Unidos.
Turismo
Uma região rica em casarios históricos é o distrito de São Pedro que possui 41 patrimônios históricos e culturais. O distrito é também muito conhecido pelo tradicional Festival de Sanfona e Viola de São Pedro, em que ocorrem anualmente apresentações de atrações nacionais da música sertanejos e violeiros da região.
A festa da cidade, que acontece em data móvel, tem início geralmente na segunda quinta-feira do mês de julho. Já o Festival de Sanfona e Viola de São Pedro tem início entre a última semana do mês de julho ou na primeira semana do mês de agosto. Durante a festa são realizados passeios ecológicos, a descida do rio Muqui do Sul de caiaque e caminhada até São Pedro, no programa “Caminhos do Campo”.
Na época do carnaval, acontece um dos melhores carnavais do Espírito Santo com os desfiles dos blocos de ruas que animam os foliões.
Um dos principais pontos turísticos de Mimoso do Sul são o mirante do Cristo Redentor, a Cachoeira das Graças, o pico dos Pontões (localizado no distrito de Conceição do Muqui) e a pedra Estrela d’Alva, onde, em dias claros, se avistam as praias de Marataízes.
Principais pontos turísticos
- Monumento ao Cristo Redentor (Sede) – obra inaugurada no governo municipal de Pedro José da Costa em 11 de julho de 1982, teve como construtor o Sr. Antônio Moreira.
- São Pedro de Itabapoana (Distrito) – sítio histórico, antiga sede do município. Dista 30 km da sede.
- Mina (sede) – localizado no córrego Santa Marta no final da Rua São Sebastião.
- Pocitos (sede) – dista 4 km seguindo a Estrada de Ferro Leopoldina para Cachoeiro de Itapemirim. Está localizado no rio Muqui do Sul.
- Cachoeira das Garças – localizada no Rio Itabapoana. Dista à 30 km da sede na Estrada Mimoso-Apiacá.
- Corredeira do poço D’antas – localizado no rio Muqui do Sul na Fazenda Poço D’antas no distrito Conceição do Muqui. Dista 32 km da sede.
Esportes
O esporte mais praticado na cidade é o futebol que tem como destaque o time da cidade o Mimosense Futebol Clube, que já revelou grandes nomes do futebol brasileiro como: o zagueiro Odvan que atuou no Vasco, o atacante Ademilson que atuou no Botafogo e no Fluminense.
A cidade conta com dois estádios de futebol: o Estádio Cel. Paiva Gonçalves (Ypiranga) situado na Avenida Presidente Vargas, Centro, e o Estádio do Independente situado na Rua Maria Josefina de Resende com a Rua José dos Santos Coimbra, no bairro Serra.
Filhos ilustres
Ver categoria: Capixabas naturais de Mimoso do Sul
Referências
- ↑ IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010
- ↑ «Estimativa populacional 2014 IBGE». Estimativa populacional 2014. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2014. Consultado em 29 de agosto de 2014
- ↑ «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 31 de agosto de 2013
- ↑ a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010
- ↑ «Mimoso do Sul — Estações Ferroviárias do Estado do Espírito Santo». http://www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 21 de julho de 2020
Ligações externas
Última modificação há 4 meses por Pedro O.Gomes
PÁGINAS RELACIONADAS
- Rio Itabapoanario brasileiro entre os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro
- Lista de clubes de futebol do Espírito Santo
- Rio Muqui do Sul
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“Brasil
país na América do Sul
Língua
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Nota: Para outras definições de Brasil ou Brazil, veja Brasil (desambiguação).
Brasil
República Federativa do Brasil
Bandeira Brasão de armas
Lema: Ordem e Progresso
Hino nacional: Hino Nacional Brasileiro
0:00
/ 0:00
Gentílico: brasileiro(a)
Localização do Brasil no mundo
Capital Brasília
15°47’56″S 47°52’00″O
Cidade mais populosa São Paulo
Língua oficial Português[a]
Governo República federativa presidencialista
– Presidente Jair Bolsonaro
– Vice-presidente Hamilton Mourão
– Presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira
– Presidente do Senado Federal Rodrigo Pacheco
– Presidente do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux
– Número de ministérios 22[1]
Independência do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
– Declarada 7 de setembro de 1822
– Reconhecida 29 de agosto de 1825
– Proclamação da República 15 de novembro de 1889
– Constituição 5 de outubro de 1988
Área
– Total 8 510 345,538[2] km² (5.º)
– Água (%) 0,65
Fronteira Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana Francesa (França), Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela
População
– Estimativa para 2021 213 317 639[2] hab. (6.º)
– Censo 2010 190 755 799[3] hab.
– Densidade 23,8 hab./km² (182.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2020
– Total US$ 3,078 trilhões[4] (8.º) – Per capita US$ 14 563[4] (83.º) PIB (nominal) Estimativa de 2020 – Total US$ 1,363 trilhão[4] (12.º)
– Per capita US$ 6 450[4] (83.º)
IDH (2019) 0,765 (84.º) – alto[5]
Gini (2018) 53,9[6] (10.º)
Moeda Real (BRL)
Fuso horário UTC −5 a UTC −2 (oficial: UTC −3)[7]
Clima Equatorial, árido, semiárido, subtropical oceânico, subtropical de altitude, subtropical úmido, tropical savânico e tropical monçônico
Org. internacionais ONU (OMC), Mercosul, OEA, CPLP, Aladi, OTCA, CI-A, UL e OIE.
Cód. ISO BRA
Cód. Internet .br
Cód. telef. +55
Website governamental http://www.gov.br
Brasil (localmente /bɾaˈziw/[b]), oficialmente República Federativa do Brasil (? escutar),[8] é o maior país da América do Sul e da região da América Latina, sendo o quinto maior do mundo em área territorial (equivalente a 47,3% do território sul-americano), com 8 510 345,538 km²[9] e sexto em população[10][11] (com mais de 213 milhões de habitantes). É o único país na América onde se fala majoritariamente a língua portuguesa e o maior país lusófono do planeta,[12] além de ser uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas, em decorrência da forte imigração oriunda de variados locais do mundo. Sua atual Constituição, promulgada em 1988, concebe o Brasil como uma república federativa presidencialista,[8] formada pela união dos 26 estados, do Distrito Federal e dos 5 570 municípios.[8][13][nota 1]
Banhado pelo Oceano Atlântico, o Brasil tem um litoral de 7 491 km[12] e faz fronteira com todos os outros países sul-americanos, exceto Chile e Equador, sendo limitado a norte pela Venezuela, Guiana, Suriname e pelo departamento ultramarino francês da Guiana Francesa; a noroeste pela Colômbia; a oeste pela Bolívia e Peru; a sudoeste pela Argentina e Paraguai e ao sul pelo Uruguai. Vários arquipélagos formam parte do território brasileiro, como o Atol das Rocas, o Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha (o único destes habitado por civis) e Trindade e Martim Vaz.[12] O Brasil também é o lar de uma diversidade de animais selvagens, ecossistemas e de vastos recursos naturais em uma grande variedade de habitats protegidos.[12]
O território que atualmente forma o Brasil foi oficialmente descoberto pelos portugueses em 22 de abril de 1500, em expedição liderada por Pedro Álvares Cabral. Segundo alguns historiadores como Antonio de Herrera e Pietro d’Anghiera, o encontro do território teria sido três meses antes, em 26 de janeiro, pelo navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón, durante uma expedição sob seu comando. A região, então habitada por indígenas ameríndios divididos entre milhares de grupos étnicos e linguísticos diferentes, cabia a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas, e tornou-se uma colônia do Império Português.[15] O vínculo colonial foi rompido, de fato, quando em 1808 a capital do reino foi transferida de Lisboa para a cidade do Rio de Janeiro, depois de tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte invadirem o território português.[16] Em 1815, o Brasil se torna parte de um reino unido com Portugal. Dom Pedro I, o primeiro imperador, proclamou a independência política do país em 1822. Inicialmente independente como um império, período no qual foi uma monarquia constitucional parlamentarista, o Brasil tornou-se uma república em 1889, em razão de um golpe militar chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro presidente), embora uma legislatura bicameral, agora chamada de Congresso Nacional, já existisse desde a ratificação da primeira Constituição, em 1824.[16] Desde o início do período republicano, a governança democrática foi interrompida por longos períodos de regimes autoritários, até um governo civil e eleito democraticamente assumir o poder em 1985, com o fim da ditadura militar.[17]
O PIB nominal brasileiro foi o décimo segundo maior do mundo[18][19] e o oitavo por paridade do poder de compra (PPC) em 2020.[20][4] O país é um dos principais celeiros do planeta, sendo o maior produtor de café dos últimos 150 anos.[21] É classificado como uma economia de renda média-alta pelo Banco Mundial[22] e um país recentemente industrializado, que detém a maior parcela de riqueza global da América Latina. Como potência regional e média,[23] a nação tem reconhecimento e influência internacional, sendo que também é classificada como uma potência global emergente[24] e como uma potencial superpotência por vários analistas.[25] É membro fundador da Organização das Nações Unidas (ONU), G20, BRICS, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), União Latina, Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Mercado Comum do Sul (Mercosul) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
Índice
Etimologia
Ver artigo principal: Etimologia de Brasil
As raízes etimológicas do termo “Brasil” são de difícil reconstrução. O filólogo Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma palavra de procedência celta (uma lenda que fala de uma “terra de delícias”, vista entre nuvens), mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios. Na época colonial, cronistas da importância de João de Barros, frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gândavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome “Brasil”. De acordo com eles, o nome “Brasil” é derivado de “pau-brasil”, designação dada a um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa “ilha Brasil” no meio do oceano Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil (madeira cor de brasa).[26] Antes de ficar com a designação atual, “Brasil”, as novas terras descobertas foram designadas de: Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras pela primeira vez), Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália, Império do Brasil e Estados Unidos do Brasil.[27] Os habitantes naturais do Brasil são denominados brasileiros, cujo gentílico é registrado em português a partir de 1706[28] e se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil.[29]
História
Ver artigo principal: História do Brasil
Período pré-colonial
Ver artigo principal: História pré-cabralina do Brasil
Arte rupestre no Parque Nacional Serra da Capivara, que tem a maior e mais antiga concentração de sítios pré-históricos na América[30]
Urna funerária da cultura marajoara, que floresceu entre os anos de 800 a 1400 na Ilha de Marajó, exposta no Museu Americano de História Natural[31]
Estima-se que os primeiros seres humanos tenham ocupado a região que compreende o atual território brasileiro há cerca de 60 mil anos.[32] Quando encontrada pelos europeus em 1500, a América do Sul tinha sua costa oriental habitada por cerca de dois milhões de nativos, do norte ao sul.[33][34]
A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos tupi-guarani, macro-jê e aruaque. Os primeiros eram subdivididos em guaranis, tupiniquins e tupinambás, entre inúmeros outros.[35]
Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte de hoje,[35] sendo “a primeira raça indígena que teve contato com o colonizador e decorrentemente a de maior presença, com influência no mameluco, no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu que se fixava”.[36]
As fronteiras entre estes grupos e seus subgrupos, antes da chegada dos europeus, eram demarcadas pelas guerras entre os mesmos, oriundas das diferenças de cultura, língua e costumes.[37] Guerras estas que também envolviam ações bélicas em larga escala, em terra e na água, com a antropofagia ritual sobre os prisioneiros de guerra.[38]
Embora a hereditariedade tivesse algum peso, a liderança era um status mais conquistado ao longo do tempo, do que atribuído em cerimônias e convenções sucessórias.[39]
A escravidão entre os indígenas tinha um significado diferente da escravidão europeia, uma vez que se originava de uma organização socioeconômica diversa, na qual as assimetrias eram traduzidas em relações de parentesco.[40]
Colonização europeia
Ver artigo principal: Colonização do Brasil
Ver também: Descobrimento do Brasil
Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, atual Bahia, em 1500. Óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva (1922).
Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial
Representação da prisão de Tiradentes, condenado à morte por ter liderado o mais conhecido movimento por independência ocorrido no Brasil Colonial
Embora supostamente o português Duarte Pacheco Pereira[41] e o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón tenham sido os primeiros europeus a chegar à terra agora chamada de Brasil (cuja viagem de Pinzón terá sido documentada ao atingir o cabo de Santo Agostinho, no litoral de Pernambuco, em 26 de janeiro de 1500), o território foi reivindicado por Portugal em 22 de abril do mesmo ano, com a chegada da frota portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro, no atual estado da Bahia, em função do Tratado de Tordesilhas.[15][42]
A colonização do Brasil foi efetivamente iniciada em 1534, quando D. João III dividiu o território em quatorze capitanias hereditárias,[43][44] mas esse arranjo se mostrou problemático, uma vez que apenas as capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram. Então, em 1549, o rei atribuiu um governador-geral para administrar toda a colônia.[44][45] Os portugueses assimilaram algumas das tribos nativas,[46] enquanto outras foram escravizadas ou exterminadas por doenças europeias para as quais não tinham imunidade,[47][48] ou em longas guerras travadas nos dois primeiros séculos de colonização, entre os grupos indígenas rivais e seus aliados europeus.[49][50][51]
Em meados do século XVI, quando o açúcar de cana tornou-se o mais importante produto de exportação do Brasil,[52] os portugueses iniciaram a importação de escravos africanos, comprados nos mercados de escravos da África Ocidental.[53][54] Assim, estes começaram a ser trazidos ao Brasil, inicialmente para lidar com a crescente demanda internacional do produto, naquele que foi denominado ciclo do açúcar.[55][56]
Ignorando o tratado de Tordesilhas de 1494, os portugueses, através de expedições conhecidas como bandeiras, paulatinamente avançaram sua fronteira colonial na América do Sul para onde se situa a maior parte das atuais fronteiras brasileiras,[57][58] tendo passado os séculos XVI e XVII defendendo tais conquistas contra potências rivais europeias.[58] Desse período destacam-se os conflitos que rechaçaram as incursões coloniais francesas (no Rio de Janeiro em 1567 e no Maranhão em 1615) e que, após o fim da União Ibérica, expulsaram os holandeses do nordeste, na chamada Insurreição Pernambucana — sendo o conflito com os holandeses parte integrante da Guerra Luso-Holandesa.[58][59]
Ao final do século XVII, devido à concorrência colonial as exportações de açúcar brasileiro começaram a declinar, mas a descoberta de ouro pelos bandeirantes na década de 1690 abriu um novo ciclo para a economia extrativista da colônia, promovendo uma febre do ouro no Brasil, que atraiu milhares de novos colonos, vindos não só de Portugal, mas também de outras colônias portuguesas ao redor do mundo, o que por sua vez acabou gerando conflitos (como a Guerra dos Emboabas), entre os antigos colonos e os recém-chegados.[60]
Para garantir a manutenção da ordem colonial interna, além da defesa do monopólio de exploração econômica do Brasil, o foco da administração colonial portuguesa se concentrou tanto em manter sob controle e erradicar as principais formas de rebelião e resistência dos escravos (a exemplo do Quilombo dos Palmares),[61] como em reprimir todo movimento por autonomia ou independência política (como a Inconfidência Mineira).[62][63]
Reino unido com Portugal
Ver artigo principal: Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves
Aclamação do Rei Dom João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, no Rio de Janeiro
No final de 1807, forças espanholas e napoleônicas ameaçaram a segurança de Portugal Continental, fazendo com que o Príncipe Regente D. João VI, em nome da rainha Maria I, transferisse a corte real de Lisboa para o Brasil.[64] O estabelecimento da corte portuguesa trouxe o surgimento de algumas das primeiras instituições brasileiras, como bolsas de valores locais[65] e um banco nacional, e acabou com o monopólio comercial que Portugal mantinha sobre o Brasil, liberando as trocas comerciais com outras nações. Em 1809, em retaliação por ter sido forçado a um “autoexílio” no Brasil, o príncipe regente ordenou a conquista portuguesa da Guiana Francesa.[66]
Com o fim da Guerra Peninsular em 1814, os tribunais europeus exigiram que a rainha Maria I e o príncipe regente D. João regressassem a Portugal, já que consideravam impróprio que representantes de uma antiga monarquia europeia residissem em uma colônia. Em 1815, para justificar a sua permanência no Brasil, onde a corte real tinha prosperado nos últimos seis anos, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves foi criado, estabelecendo, assim, um Estado monárquico transatlântico e pluricontinental.[67] No entanto, isso não foi suficiente para acalmar a demanda portuguesa pelo retorno da corte para Lisboa, como a revolução liberal do Porto exigiria em 1820, e nem o desejo de independência e pelo estabelecimento de uma república por grupos de brasileiros, como a Revolução Pernambucana de 1817 mostrou.[67] Em 1821, como uma exigência de revolucionários que haviam tomado a cidade do Porto,[68] D. João VI foi incapaz de resistir por mais tempo e partiu para Lisboa, onde foi obrigado a fazer um juramento à nova constituição, deixando seu filho, o príncipe Pedro de Alcântara, como Regente do Reino do Brasil.[69]
Independência e Império
Ver artigos principais: Independência do Brasil e Império do Brasil
Declaração da Independência do Brasil pelo imperador Pedro I em 7 de setembro de 1822. Obra de Pedro Américo (1888)
Em decorrência desses acontecimentos, a coroa portuguesa tentou, mais uma vez, transformar o Brasil em uma colônia, privando o país do estatuto de Reino, adquirido em 1815.[70] Os brasileiros se recusaram a ceder e D. Pedro ficou com eles, declarando a independência do país do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 7 de setembro de 1822.[71] Em 12 de outubro de 1822, Pedro foi declarado o primeiro imperador do Brasil e coroado D. Pedro I em 1 de dezembro do mesmo ano, fundando, assim, o Império do Brasil.[72]
A guerra da independência do Brasil, iniciada ao longo deste processo, propagou-se pelas regiões norte, nordeste e ao sul na província de Cisplatina.[73] Os últimos soldados portugueses renderam-se em 8 de março de 1824,[74] sendo a independência reconhecida por Portugal em 29 de agosto de 1825, no tratado do Rio de Janeiro.[75]
A primeira constituição brasileira foi promulgada em 25 de março de 1824, após a sua aceitação pelos conselhos municipais de todo o país.[76][77] Exaurido no Brasil por anos de exercício do poder moderador, período no qual também enfrentou em Pernambuco o movimento separatista conhecido como Confederação do Equador, e inconformado com o rumo que os absolutistas portugueses haviam imprimido à sucessão de D. João VI, D. Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho de cinco anos e herdeiro (que viria a ser o imperador Dom Pedro II), e retornou à Europa a fim de recuperar a coroa para sua filha.[78] Como o novo imperador não poderia, até atingir a maturidade, exercer suas prerrogativas constitucionais, a regência foi adotada.[79]
Dom Pedro II, imperador entre 1840 e 1889
Durante o período regencial ocorreu uma série de rebeliões localizadas, como a Cabanagem, a Revolta dos Malês, a Balaiada, a Sabinada e a Revolução Farroupilha, decorrentes do descontentamento das províncias com o poder central e das tensões sociais latentes de uma nação escravocrata e recém-independente.[80] Em meio a esta agitação, D. Pedro II foi declarado imperador prematuramente em 23 de julho de 1840. Porém, somente ao final daquela década, as últimas revoltas do período regencial e outras posteriores, como a Revolução Praieira, foram debeladas e o país pôde voltar a uma relativa estabilidade política interna.[38]
Internacionalmente, após a perda de Cisplatina, que se tornou o Uruguai, o Brasil saiu vitorioso de três guerras no Cone Sul durante o reinado de Dom Pedro II: a guerra do Prata, a guerra do Uruguai e a guerra do Paraguai naquele que, além de ter sido um dos maiores conflitos da história (o maior da América do Sul), foi o que exigiu o maior esforço de guerra na história do país.[81]
Concernente à questão da escravidão no país, somente após anos de pressão comercial e marítima exercida pelo Reino Unido, em decorrência da lei “Bill Aberdeen”, o Brasil concordou em abandonar o tráfico internacional de escravos, em 1850. Apesar disso e da repercussão internacional, dos efeitos políticos e econômicos decorrentes da derrota dos Estados Confederados na Guerra Civil Americana durante a década de 1860, foi apenas em 1888, após um longo processo de mobilização interna e debate para a desmontagem moral e legal da escravidão, que esta foi formalmente abolida no Brasil.[82][83]
Em 15 de novembro de 1889, desgastada por anos de estagnação econômica, em atrito com a oficialidade do Exército e também com as elites rurais e financeiras (embora por razões diferentes), a monarquia foi derrubada por um golpe militar.[84][85]
Primeira República e Era Vargas
Ver artigos principais: Proclamação da República, República Velha e Era Vargas
Proclamação da República, óleo sobre tela de 1893, por Benedito Calixto
Diretamente, ou através de figuras como Vargas, o Exército esteve no poder em grande parte do período republicano
Soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) sendo saudados por moradores de Massarosa, na Itália, no final de setembro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial
Com o início do governo republicano, sendo pouco mais do que uma ditadura militar, a então nova constituição de 1891[27] previa eleições diretas apenas para 1894 e, embora abolisse a restrição do período monárquico que estabelecia direito ao voto apenas aos que tivessem determinado nível de renda, mantinha o exercício do voto em caráter aberto (não secreto) e, entre outras restrições, circunscrito apenas aos homens, alfabetizados, numa época em que a população do país era majoritariamente analfabeta.[86]
Neste primeiro período, o país republicano manteve um relativo equilíbrio em relação à política externa, que só foi rompido pela questão acriana87 e pelo envolvimento do país na Primeira Guerra Mundial (1914–1918).[88][89][90] Internamente, a partir da crise do encilhamento[91][92][93] e da 1ª Revolta da Armada em 1891,[94] iniciou-se um ciclo prolongado de instabilidade financeira, política e social que se estenderia até a década de 1920, mantendo o país assolado por diversas rebeliões, tanto civis[95][96][97] como militares[98][99][100] Pouco a pouco, estas rebeliões minaram o regime de tal forma que, em 1930, foi possível ao candidato presidencial derrotado nas eleições daquele ano, Getúlio Vargas, na esteira do assassinato de João Pessoa, seu companheiro de chapa, liderar a Revolução de 1930, com o apoio dos militares, e assumir a presidência da república.[101]
Vargas e os militares, que deveriam assumir a presidência apenas temporariamente a fim de implementar reformas democráticas, fecharam o congresso nacional brasileiro e seguiram governando sob estado de emergência, tendo feito a intervenção federal de todos os estados, à exceção de Minas Gerais,[102] substituindo os governadores dos estados por interventores federais, que eram seus apoiadores políticos.[103]
Sob a justificativa de cobrar a implementação das promessas de reformas democráticas em uma nova constituição,[104] em 1932 a oligarquia paulista tentou recuperar o poder através de uma revolução armada[105] e, em 1935, os comunistas se rebelaram na Intentona Comunista,[106] tendo ambos os movimentos sido derrotados. No entanto, a ameaça comunista serviu de pretexto tanto para impedir as eleições previamente estipuladas, como para que Vargas e os militares lançassem mão de outro golpe de Estado em 1937 estabelecendo o Estado Novo, formalizando assim o status ditatorial do regime.[107] Em maio de 1938, houve o Levante integralista, ainda outra tentativa fracassada de tomada de poder, desta vez por parte dos nacionalistas.[108]
O Brasil manteve-se neutro durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial (1939–1945) até os antecedentes que levaram o país a se postar ao lado dos Estados Unidos durante a Conferência Interamericana de 1942, realizada no Rio de Janeiro em janeiro, rompendo relações diplomáticas com as potências do Eixo.[109][110] Em represália, as marinhas de guerra da Alemanha nazista e Itália fascista estenderam sua campanha de guerra submarina ao Brasil e, após meses de contínuo afundamento de navios mercantes brasileiros e forte pressão popular, o governo declarou-lhes guerra em agosto daquele ano,[111][110] tendo somente em 1944 enviado uma força expedicionária para combater na Europa.[112][113] Com a vitória aliada em 1945 e o fim dos regimes nazifascistas na Europa, a posição de Vargas tornou-se insustentável e ele foi rapidamente deposto por outro golpe militar.[114] A democracia foi “restabelecida”[115] e o general Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente, tomando posse em 1946.[116] Tendo voltado ao poder democraticamente eleito em 1950, Vargas suicidou-se em agosto de 1954, em meio a uma crise política.[117][118]
Quarta República e ditadura militar
Ver artigos principais: Quarta República e Ditadura militar
Edifício-sede do Congresso Nacional do Brasil em 1959, durante a construção da nova capital federal
Vários governos provisórios breves sucederam-se após o suicídio de Vargas.[119] Em 1955, através de eleições diretas, Juscelino Kubitschek tornou-se presidente e assumiu uma postura conciliadora em relação à oposição política, o que lhe permitiu governar sem grandes crises.[120] A economia e o setor industrial cresceram consideravelmente,[121] mas sua maior conquista foi a construção da nova capital, Brasília, inaugurada em 1960.[122]
O sucessor de Kubitschek, Jânio Quadros, eleito em 1960, renunciou em 1961 menos de sete meses após assumir o cargo.[123] Seu vice-presidente, João Goulart, assumiu a presidência, mas suscitou forte oposição política[124] e foi deposto pelo Golpe de 1964 que resultou em um regime militar.[125]
O novo regime se destinava a ser transitório,[126] mas, cada vez mais fechado em si mesmo, tornou-se uma ditadura plena com a promulgação do Ato Institucional Nº 5 em 1968.[127] A censura e a repressão em todas as suas formas, incluindo a tortura, não se restringiram aos políticos oposicionistas e militantes de esquerda. A sua ação alcançou a todos aqueles a quem o regime encarava como opositores, ou a eles ligados, o que abrangeu praticamente todos os setores sociais; entre eles artistas, estudantes, jornalistas, clérigos, sindicalistas, professores, intelectuais, além dos próprios militares e policiais que demonstrassem não estarem alinhados com o regime[128][129] e familiares de presos políticos.[130][131]
Tanques em frente ao Congresso Nacional patrulham a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, após o golpe de 1964, que instaurou quase 21 anos de ditadura militar
Através da Operação Condor, o governo brasileiro também participou na perseguição internacional a dissidentes sul-americanos em geral.[132] A exemplo de outros regimes ditatoriais na história, o regime militar brasileiro atingiu o auge de sua popularidade num momento de alto crescimento econômico, que ficou conhecido como “milagre econômico”, momento este que coincidiu com o auge da repressão.[133]
Lentamente, no entanto, o desgaste natural de anos de poder ditatorial, que não abrandou a repressão mesmo após a derrota da guerrilha de esquerda,[134][135] somado à inabilidade em lidar com as crises econômicas do período, o crescimento da oposição política nas eleições regionais[136] e ainda as pressões populares, tornaram inevitável a abertura política do regime que, por seu lado, foi conduzida pelos generais Geisel e Golbery.[137] Com a promulgação da Lei da Anistia em 1979, o Brasil lentamente iniciou a volta à democracia, que se completaria na década de 1980.[138]
Sexta República
Ver artigo principal: Sexta República Brasileira
Ulysses Guimarães com a Constituição de 1988, que redemocratizou o país
Após o movimento popular das Diretas Já, os civis voltaram ao poder em 1985 inaugurando a chamada Nova República, com a eleição do oposicionista Tancredo Neves, que, entretanto, não assumiu o cargo devido à morte decorrente de uma grave doença.[139] Seu vice, José Sarney, assumiu a presidência,[140] tornando-se impopular ao longo de seu mandato por conta da piora da crise econômica e hiperinflação herdadas do regime militar, mesmo com uma breve euforia inicial do seu Plano Cruzado.[141] Sarney deu continuidade ao programa de governo de Tancredo Neves instaurando, em 1987, uma Assembleia Nacional Constituinte,[142] que promulgou a atual Constituição brasileira.[143] No entanto, o fracasso do Governo Sarney na área econômica e o consequente desgaste político permitiu a eleição, em 1989, do quase desconhecido Fernando Collor, que posteriormente sofreu processo de impeachment pelo Congresso Nacional brasileiro em 1992, com seu vice-presidente, Itamar Franco, assumindo o cargo em decorrência.[144]
Do novo ministério nomeado por Itamar, com integrantes de praticamente todos os partidos que aprovaram o impeachment de Collor.[145] destacou-se Fernando Henrique Cardoso (FHC), como ministro da Fazenda e coordenador do bem-sucedido Plano Real,[146][c] que trouxe estabilidade para a economia brasileira, após décadas de inúmeros planos econômicos de governos anteriores que haviam fracassado na tentativa de controlar a hiperinflação.[144] Em consequência, FHC foi eleito presidente na eleição presidencial de 1994 e novamente em 1998.[147] A transição pacífica de poder para seu principal opositor, Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2002 e reeleito em 2006, mostrou que o Brasil finalmente conseguiu alcançar a sua muito procurada estabilidade política.[148]
Moeda de 1 real comemorativa dos 25 anos do Plano Real, que trouxe estabilidade para a economia brasileira após anos de hiperinflação
Nas eleições de 2010, Dilma Rousseff tornou-se a primeira mulher eleita presidente.[149] Em junho de 2013, irromperam no país manifestações populares por diversas reivindicações sociais.[150] Após as polarizadas eleições de 2014, Rousseff foi reeleita, no entanto, em 2015, sua rejeição atingiu quase 70% em meio a protestos populares, ao mesmo tempo em que vários políticos eram investigados pela Polícia Federal.[151] Em abril de 2016, a Câmara iniciou um processo de impeachment contra a presidente, que foi ratificado pelo Senado em maio.[152] Rousseff foi deposta em 31 de agosto e seu vice, Michel Temer, assumiu o cargo.[153] Em 2018, o ex-presidente Lula foi condenado e preso por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.[154] Nas eleições de 2018, elegeu-se presidente o candidato Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), que venceu no segundo turno Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), com o apoio de 55,13% dos votos válidos.[155]
Geografia
Ver artigo principal: Geografia do Brasil
Mapa topográfico do Brasil
O território brasileiro é cortado por dois círculos imaginários: a Linha do Equador, que passa pela embocadura do Amazonas, e o Trópico de Capricórnio, que corta o município de São Paulo.[156] O país ocupa uma vasta área ao longo da costa leste da América do Sul e inclui grande parte do interior do continente,[157] compartilhando fronteiras terrestres com Uruguai ao sul; Argentina e Paraguai a sudoeste; Bolívia e Peru a oeste; Colômbia a noroeste e Venezuela, Suriname, Guiana e com o departamento ultramarino francês da Guiana Francesa ao norte. O país compartilha uma fronteira comum com todos os países da América do Sul, exceto Equador e Chile. Ele também engloba uma série de arquipélagos oceânicos, como Fernando de Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz.[12] O seu tamanho, relevo, clima e recursos naturais fazem do Brasil um país geograficamente diverso.[157]
O país é o quinto maior do mundo em área territorial, com 8 510 345,538 km²,[9] depois de Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, incluindo 157 630 km² de água.[12] Seu território abrange quatro fusos horários, a partir de UTC−5 no Acre e sudoeste do Amazonas; UTC−4 em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e maior parte do Amazonas; UTC−3 (horário oficial do Brasil) em Goiás, Distrito Federal, Pará, Amapá e todos os estados das regiões Nordeste, Sudeste e Sul e UTC−2 nas ilhas do Atlântico.[7]
O Brasil tem um sistema denso e complexo de rios, um dos mais extensos do mundo, com oito grandes bacias hidrográficas, que drenam para o Atlântico. Os rios mais importantes são o Amazonas (o maior rio do mundo tanto em comprimento – 6 937,08 quilômetros de extensão – como em termos de volume de água – vazão de 12,5 bilhões de litros por minuto), o Paraná e seu maior afluente, o Iguaçu (que inclui as cataratas do Iguaçu), o Negro, São Francisco, Xingu, Madeira e Tapajós.[158]
Topografia
Pico da Neblina, no Amazonas, o ponto mais alto do Brasil
Serra dos Órgãos, parte da Serra do Mar, Rio de Janeiro
A topografia brasileira também é diversificada e inclui morros, montanhas, planícies, planaltos e cerrados. Grande parte do terreno se situa entre duzentos e oitocentos metros de altitude.[159]
A área principal de terras altas ocupa mais da metade sul do país. As partes noroeste do planalto são compostas por terreno, amplo rolamento quebrado por baixo e morros arredondados. A seção sudeste é mais robusta, com uma massa complexa de cordilheiras e serras atingindo altitudes de até 1 200 metros. Esses intervalos incluem as serras do Espinhaço, da Mantiqueira e do Mar.[159]
No norte, o planalto das Guianas constitui um fosso de drenagem principal, separando os rios que correm para o sul da Bacia Amazônica dos que desaguam no sistema do rio Orinoco, na Venezuela, ao norte. O ponto mais alto no Brasil é o Pico da Neblina, na Serra do Imeri (fronteira com a Venezuela) com 2 994 metros, e o menor é o Oceano Atlântico.[12]
Panorama da Chapada Diamantina, na Bahia
Clima
Ver artigo principal: Clima do Brasil
Mapa do Brasil de acordo com a classificação climática de Köppen
O clima do Brasil dispõe de uma ampla variedade de condições de tempo em uma grande área e topografia variada, mas a maior parte do país é tropical.[12] Segundo o sistema Köppen, o Brasil acolhe seis principais subtipos climáticos: equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude, temperado e subtropical. As diferentes condições climáticas produzem ambientes que variam de florestas equatoriais no Norte e regiões semiáridas no Nordeste, para florestas temperadas de coníferas no Sul e savanas tropicais no Brasil central.[160] Muitas regiões têm microclimas totalmente diferentes.[161][162]
O clima equatorial caracteriza grande parte do norte do Brasil. Não existe uma estação seca real, mas existem algumas variações no período do ano em que mais chove.[160] Temperaturas médias de 25 °C,[162] com mais variação de temperatura significativa entre a noite e o dia do que entre as estações. As chuvas no Brasil central são mais sazonais, característico de um clima de savana.[161] Esta região é tão extensa como a bacia amazônica, mas tem um clima muito diferente, já que fica mais ao sul, em uma latitude inferior.[160]
No interior do nordeste, a precipitação sazonal é ainda mais extrema. A região de clima semiárido geralmente recebe menos de 800 milímetros de chuva,[163] a maior parte em um período de três a cinco meses no ano[164] e por vezes menos do que isso, resultando em longos períodos de seca.[161] A Grande Seca de 1877–78, a mais grave já registrada no país,[165] causou cerca de meio milhão de mortes.[166] Outra em 1915 foi devastadora também.[167]
No sul da Bahia, a distribuição de chuva muda, com períodos de chuva ao longo de todo o ano.[160] O Sul e parte do Sudeste possuem condições de clima temperado, com invernos frescos e temperatura média anual não superior a 18 °C;[162] geadas de inverno são bastante comuns, com ocasional queda de neve nas áreas mais elevadas.[160][161]
Meio ambiente e biodiversidade
Ver artigos principais: Biodiversidade, biomas e vegetação do Brasil
Floresta Amazônica, a mais rica e biodiversa floresta tropical do mundo[168]
A grande extensão territorial do Brasil abrange diferentes ecossistemas, como a Floresta Amazônica, reconhecida como tendo a maior diversidade biológica do mundo. Os rios amazônicos fornecem uma variedade de habitats, incluindo pântanos e riachos, cada um abrigando diferentes tipos de vida selvagem.[168] A mata Atlântica e o cerrado, sustentam também grande biodiversidade,[169] além da caatinga,[164] fazendo do Brasil um país megadiverso. No sul, a floresta de araucárias cresce sob condições de clima temperado.[169]
A rica vida selvagem do Brasil reflete a variedade de habitats naturais. Os cientistas estimam que o número total de espécies vegetais e animais no Brasil seja de aproximadamente de quatro milhões.[169] Grandes mamíferos incluem pumas, onças, jaguatiricas, raros cachorros-vinagre, raposas, queixadas, antas, tamanduás, preguiças, gambás e tatus. Veados são abundantes no sul e muitas espécies de platyrrhini são encontradas nas florestas tropicais do norte.[169][170] A preocupação com o meio ambiente tem crescido em resposta ao interesse mundial nas questões ambientais.[171]
O patrimônio natural do Brasil está seriamente ameaçado pela pecuária e agricultura, exploração madeireira, mineração, reassentamento, desmatamento, extração de petróleo e gás, a sobrepesca, comércio de espécies selvagens, barragens e infraestrutura, contaminação da água, fogo, espécies invasoras e pelos efeitos do aquecimento global.[168] Em muitas áreas do país, o ambiente natural está ameaçado pelo desenvolvimento.[172] A construção de estradas em áreas de floresta, tais como a BR-230 e a BR-163, abriu áreas anteriormente remotas para a agricultura e para o comércio; barragens inundaram vales e habitats selvagens e minas criaram cicatrizes na terra e poluíram a paisagem.[171][173]
Em dezembro de 2016, conforme estudos da Embrapa, a vegetação nativa preservada cobria 61% do território brasileiro. A agricultura ocupava 8% do território nacional enquanto as pastagens cobriam 19,7%.[174]
Biodiversidade do Brasil
Tamanduá-bandeira com um filhote em uma pastagem em Mato Grosso do Sul
Dendrobates azureus, encontrado na fronteira Brasil-Suriname
Tucano-toco, ave símbolo do Brasil, em Paraty, Rio de Janeiro
Onça-pintada no rio Piquirí, Pantanal
Mico-leão-dourado, animal endêmico do Brasil, na Reserva Biológica Poço das Antas
Arara-azul-de-lear, endêmica do Raso da Catarina. O Brasil tem uma grande diversidade de aves
Lobo-guará, ocorre principalmente no cerrado do centro-oeste[175]
Demografia
Ver artigo principal: Demografia do Brasil
Mapa da densidade populacional do Brasil (2007)
A população do Brasil, conforme censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, foi de 190 755 799 habitantes[176] (22,43 habitantes por quilômetro quadrado),[177] com uma proporção de homens e mulheres de 0,96:1[178] e 84,36% da população definida como urbana.[3] A população está fortemente concentrada nas regiões Sudeste (80,3 milhões de habitantes), Nordeste (53,1 milhões) e Sul (27,4 milhões), enquanto as duas regiões mais extensas, o Centro-Oeste e o Norte, que formam 64,12% do território brasileiro, contam com um total de apenas trinta milhões de habitantes.[3]
A população brasileira aumentou significativamente entre 1940 e 1970, devido a um declínio na taxa de mortalidade, embora a taxa de natalidade também tenha passado por um ligeiro declínio no período. Na década de 1940 a taxa de crescimento anual da população foi de 2,4%, subindo para 3% em 1950 e permanecendo em 2,9% em 1960, com a expectativa de vida subindo de 44 para 54 anos[179] e para 75,8 anos em 2016.[180] A taxa de aumento populacional tem vindo a diminuir desde 1960, de 3,04% ao ano entre 1950–1960 para 1,05% em 2008 e deverá cair para um valor negativo, de -0,29%, em 2050,[181] completando assim a transição demográfica.[182]
Urbanização
Os maiores aglomerados urbanos do Brasil, de acordo com a estimativa do IBGE para 2019, são as conurbações de São Paulo (com 21 656 301 habitantes), Rio de Janeiro (12 777 959), Belo Horizonte (5 178 131), Recife (4 056 323) e Brasília (4 012 896).[183] Existem também grandes concentrações urbanas no interior do país: Campinas, Baixada Santista, São José dos Campos e Sorocaba, todas no estado de São Paulo.[183] Quase todas as capitais são as maiores cidades de seus estados, com exceção de Vitória, capital do Espírito Santo, e Florianópolis, a capital de Santa Catarina.[183]
Composição étnica
Grupos étnicos no Brasil (censo de 2010)[186][187]
Brancos (47.51%)
Pardos (43.42%)
Pretos (7.52%)
Amarelos (1.1%)
Indígenas (0.42%)
Ver artigos principais: Composição étnica do Brasil e Brasileiros
Ver também: Racismo no Brasil
Segundo o IBGE, no censo de 2010 47,1% da população (cerca de 90,6 milhões) se autodeclararam como brancos, 43,42% (cerca de 82,8 milhões) como pardos (multirracial), 7,52% (cerca de 14,4 milhões) como negros; 1,1% (cerca de 2,1 milhões) como amarelos e 0,43% (cerca de 821 mil) como indígenas, enquanto 0,02% (cerca de 36,1 mil) não declararam sua raça.[186]
Em 2007, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) relatou a existência de 67 tribos indígenas isoladas em regiões remotas do Brasil, a maioria delas no interior da Floresta Amazônica. Acredita-se que o Brasil possua o maior número de povos isolados do mundo.[188]
A maioria dos brasileiros descende de povos indígenas do país, colonos portugueses, imigrantes europeus e escravos africanos.[189] Desde a chegada dos portugueses em 1500, um considerável número de uniões entre estes três grupos foi realizado. A população parda[190][191] é uma categoria ampla que inclui caboclos (descendentes de brancos e indígenas), mulatos (descendentes de brancos e negros) e cafuzos (descendentes de negros e indígenas).[190]
Os pardos e mulatos formam a maioria da população nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.[192] A população mulata concentra-se geralmente na costa leste da região Nordeste, da Bahia à Paraíba[193][194] e também no norte do Maranhão,[195][196] sul de Minas Gerais[197] e no leste do Rio de Janeiro.[193][197]
No século XIX o Brasil abriu suas fronteiras à imigração. Cerca de cinco milhões de pessoas de mais de 60 países migraram para o Brasil entre 1808 e 1972, a maioria delas de Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, Japão e Oriente Médio.[34]
Religiões
Religiões no Brasil (censo de 2010)[198]
Catolicismo romano (64.6%)
Protestantismo (22.2%)
Sem religião (8%)
Espiritismo (2%)
Outro (3.2%)
Ver artigo principal: Religiões no Brasil
Ver também: Intolerância religiosa no Brasil
A Constituição prevê liberdade de religião, ou seja, proíbe qualquer tipo de intolerância religiosa e a Igreja e o Estado estão oficialmente separados, sendo o Brasil um país secular.[199]
Em 2000, a religião católica representava 73,6% do total no país. Em 2010, era 64,6%, sendo observada pela primeira vez a redução em números absolutos (de 124 980 132 para 123 280 172).[200][201][202][203] Ainda assim, o perfil religioso brasileiro continua tendo uma maioria predominantemente católica (42,4% a mais que a segunda maior religião do país, o protestantismo).[204][205][206] De acordo com o censo de 2010, entre os estados, o Rio de Janeiro apresenta a menor proporção de católicos, 45,8%; e o Piauí, a maior, 85,1%. Já a proporção de evangélicos era maior em Rondônia (33,8%) e menor no Piauí (9,7%).[206]
Em outubro de 2009, foi aprovado pelo Senado e decretado pelo Presidente da República em fevereiro de 2010 um acordo com o Vaticano, em que é reconhecido o Estatuto Jurídico”
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Brasil#:~:text=Brasil,o%20Estatuto%20Jur%C3%ADdico
“Urbanização
Os maiores aglomerados urbanos do Brasil, de acordo com a estimativa do IBGE para 2019, são as conurbações de São Paulo (com 21 656 301 habitantes), Rio de Janeiro (12 777 959), Belo Horizonte (5 178 131), Recife (4 056 323) e Brasília (4 012 896).[183] Existem também grandes concentrações urbanas no interior do país: Campinas, Baixada Santista, São José dos Campos e Sorocaba, todas no estado de São Paulo.[183] Quase todas as capitais são as maiores cidades de seus estados, com exceção de Vitória, capital do Espírito Santo, e Florianópolis, a capital de Santa Catarina.[183]
Composição étnica
Grupos étnicos no Brasil (censo de 2010)[186][187]
Brancos (47.51%)
Pardos (43.42%)
Pretos (7.52%)
Amarelos (1.1%)
Indígenas (0.42%)
Ver artigos principais: Composição étnica do Brasil e Brasileiros
Ver também: Racismo no Brasil
Segundo o IBGE, no censo de 2010 47,1% da população (cerca de 90,6 milhões) se autodeclararam como brancos, 43,42% (cerca de 82,8 milhões) como pardos (multirracial), 7,52% (cerca de 14,4 milhões) como negros; 1,1% (cerca de 2,1 milhões) como amarelos e 0,43% (cerca de 821 mil) como indígenas, enquanto 0,02% (cerca de 36,1 mil) não declararam sua raça.[186]
Em 2007, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) relatou a existência de 67 tribos indígenas isoladas em regiões remotas do Brasil, a maioria delas no interior da Floresta Amazônica. Acredita-se que o Brasil possua o maior número de povos isolados do mundo.[188]
A maioria dos brasileiros descende de povos indígenas do país, colonos portugueses, imigrantes europeus e escravos africanos.[189] Desde a chegada dos portugueses em 1500, um considerável número de uniões entre estes três grupos foi realizado. A população parda[190][191] é uma categoria ampla que inclui caboclos (descendentes de brancos e indígenas), mulatos (descendentes de brancos e negros) e cafuzos (descendentes de negros e indígenas).[190]
Os pardos e mulatos formam a maioria da população nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.[192] A população mulata concentra-se geralmente na costa leste da região Nordeste, da Bahia à Paraíba[193][194] e também no norte do Maranhão,[195][196] sul de Minas Gerais[197] e no leste do Rio de Janeiro.[193][197]
No século XIX o Brasil abriu suas fronteiras à imigração. Cerca de cinco milhões de pessoas de mais de 60 países migraram para o Brasil entre 1808 e 1972, a maioria delas de Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, Japão e Oriente Médio.[34]
Religiões
Religiões no Brasil (censo de 2010)[198]
Catolicismo romano (64.6%)
Protestantismo (22.2%)
Sem religião (8%)
Espiritismo (2%)
Outro (3.2%)
Ver artigo principal: Religiões no Brasil
Ver também: Intolerância religiosa no Brasil
A Constituição prevê liberdade de religião, ou seja, proíbe qualquer tipo de intolerância religiosa e a Igreja e o Estado estão oficialmente separados, sendo o Brasil um país secular.[199]
Em 2000, a religião católica representava 73,6% do total no país. Em 2010, era 64,6%, sendo observada pela primeira vez a redução em números absolutos (de 124 980 132 para 123 280 172).[200][201][202][203] Ainda assim, o perfil religioso brasileiro continua tendo uma maioria predominantemente católica (42,4% a mais que a segunda maior religião do país, o protestantismo).[204][205][206] De acordo com o censo de 2010, entre os estados, o Rio de Janeiro apresenta a menor proporção de católicos, 45,8%; e o Piauí, a maior, 85,1%. Já a proporção de evangélicos era maior em Rondônia (33,8%) e menor no Piauí (9,7%).[206]
Em outubro de 2009, foi aprovado pelo Senado e decretado pelo Presidente da República em fevereiro de 2010 um acordo com o Vaticano, em que é reconhecido o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil. O acordo confirmou normas que já eram normalmente cumpridas sobre ensino religioso nas escolas públicas de ensino fundamental (que assegura também o ensino de outras crenças), casamento e assistência espiritual em presídios e hospitais. O projeto sofreu críticas de parlamentares que entendiam como o fim do Estado laico com a aprovação do acordo.[207][208]
Idiomas
Ver artigo principal: Línguas do Brasil
Museu da Língua Portuguesa em São Paulo
Pomerode, Santa Catarina, município com língua cooficial alóctone[209]
A língua oficial do Brasil é o português,[a] que é falado por quase toda a população e é praticamente o único idioma usado nos meios de comunicação, nos negócios e para fins administrativos. O país é o único lusófono da América e o idioma tornou-se uma parte importante da identidade nacional brasileira.[210]
O português brasileiro teve o seu próprio desenvolvimento, influenciado por línguas ameríndias, africanas e por outros idiomas europeus.[211] Como resultado, essa variante é um pouco diferente, principalmente na fonologia, do português lusitano. Essas diferenças são comparáveis àquelas entre o inglês americano e o inglês britânico.[211]
Em 2008, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que inclui representantes de todos os países cujo português é o idioma oficial, chegou a um acordo sobre a padronização ortográfica da língua, com o objetivo de reduzir as diferenças entre as duas variantes. A todos os países da CPLP foi dado o prazo de 2009 até 2016 para se adaptarem às mudanças necessárias.[212]
Idiomas minoritários são falados em todo o país. O censo de 2010 contabilizou 305 etnias indígenas no Brasil, que falam 274 línguas diferentes. Dos indígenas com cinco ou mais anos, 37,4% falavam uma língua indígena e 76,9% falavam português.[213] Há também comunidades significativas de falantes do alemão (na maior parte o Hunsrückisch, um dialeto alto-alemão) e italiano (principalmente o talian, de origem vêneta) no sul do país, os quais são influenciados pelo idioma português.[214][215]
Diversos municípios brasileiros cooficializaram outras línguas,[216] como São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, onde ao nheengatu, tukano e baniwa, que são línguas ameríndias, foi concedido o estatuto cooficial com o português.[217] Outros municípios, como Santa Maria de Jetibá (no Espírito Santo) e Pomerode (em Santa Catarina) também cooficializaram outras línguas alóctones, como o alemão e o pomerano.[209] Os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul também possuem o talian como patrimônio linguístico oficial,[218][219] enquanto o Espírito Santo, em agosto de 2011, incluiu em sua constituição o pomerano, junto com o alemão, como seus patrimônios culturais.[220]
Governo e política
Ver artigos principais: Governo e política do Brasil
Mais informações: Presidente do Brasil, lista de presidentes do Brasil e administração pública no Brasil
Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo
Congresso Nacional do Brasil, sede do Poder Legislativo
A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, todos autônomos, nos termos da constituição.[8] A União, os estados, o Distrito Federal e os municípios são as esferas “do governo”. A Federação está definida em cinco princípios fundamentais:[8] soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Os ramos clássicos tripartite de governo (executivo, legislativo e judiciário no âmbito do sistema de controle e equilíbrios) são oficialmente criados pela Constituição.[8] O executivo e o legislativo estão organizados de forma independente em todas esferas de governo, enquanto o judiciário é organizado apenas a nível federal e nas esferas estadual e do Distrito Federal.[221]
Todos os membros do executivo e do legislativo são eleitos diretamente.[222][223][224] Juízes e outros funcionários judiciais são nomeados após aprovação em exames de entrada.[222] O voto é obrigatório para os alfabetizados entre 18 e 70 anos e facultativo para analfabetos e aqueles com idade entre 16 e 18 anos ou superior a 70 anos.[8] Quase todas as funções governamentais e administrativas são exercidas por autoridades e agências filiadas ao Executivo.[225] A forma de governo é a de uma república democrática, com um sistema presidencial. O presidente é o chefe de Estado e de chefe de Governo e é eleito para um mandato de quatro anos, com a possibilidade de reeleição para um segundo mandato consecutivo. Ele é o responsável pela nomeação dos ministros de Estado, que auxiliam no governo.[8][226]
As casas legislativas de cada entidade política são a principal fonte de direito no Brasil. O Congresso Nacional é a legislatura bicameral da Federação, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Autoridades do Judiciário exercem funções jurisdicionais, quase exclusivamente.[221] Quase todos os partidos políticos estão representados no Congresso.[227] É comum que os políticos mudem de partido e, assim, a proporção de assentos parlamentares detidos por partidos muda regularmente. Os maiores partidos, de acordo com o número de filiados, são o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Partido dos Trabalhadores (PT), Progressistas (PP), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Democratas (DEM), Partido Liberal (PL), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Cidadania (CDN).[228]
Direito
Ver artigos principais: Direito, poder judiciário e forças policiais do Brasil
Supremo Tribunal Federal (STF), sede do Poder Judiciário
O direito brasileiro é baseado na tradição do código civil, parte do sistema romano-germânico. Assim, os conceitos de direito civil prevalecem sobre práticas de direito comum. A maior parte da legislação brasileira é codificada, apesar de leis não codificadas serem uma parte substancial do sistema, desempenhando um papel complementar. Decisões do Tribunal e orientações explicativas, no entanto, não são vinculativas sobre outros casos específicos, exceto em algumas situações.[229]
Obras de doutrina e as obras de juristas acadêmicos têm forte influência na criação de direito e em casos de direito. O sistema jurídico baseia-se na Constituição Federal, que foi promulgada em 5 de outubro de 1988 e é a lei fundamental do Brasil. Todos as outras legislações e as decisões das cortes de justiça devem corresponder a seus princípios.[230] Os estados têm suas próprias constituições, que não devem entrar em contradição com a constituição federal.[231] Os municípios e o Distrito Federal não têm constituições; em vez disso, eles têm leis orgânicas.[232] Entidades legislativas são a principal fonte das leis, embora, em determinadas questões, organismos dos poderes judiciário e executivo possam promulgar normas jurídicas.[221]
A jurisdição é administrada pelas entidades do poder judiciário brasileiro, embora em situações raras a Constituição Federal permita que o Senado Federal interfira nas decisões judiciais. Existem jurisdições especializadas como a Justiça Militar, a Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral. O tribunal mais alto é o Supremo Tribunal Federal. Este sistema tem sido criticado nas últimas décadas devido à lentidão com que as decisões finais são emitidas. Ações judiciais de recurso podem levar vários anos para serem resolvidas e, em alguns casos, mais de uma década para expirar antes de as decisões definitivas serem tomadas.[233]
Crime e aplicação da lei
Ver artigos principais: Forças policiais do Brasil, Violência no Brasil e Sistema carcerário no Brasil
Homens do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal
A Constituição brasileira, em seu artigo 144º, estabelece oito instituições para a execução das leis de segurança pública – sete com a função titular: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícia Penal Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal dos Estados – e uma com a função conexa e auxiliar à atividade de segurança pública: as guardas municipais. Destas, quatro são filiadas às autoridades federais, três aos governos estaduais, e as Guardas Municipais aos governos municipais. As instituições supracitadas são de responsabilidade do Poder Executivo, ou seja: dos governos Federal, do Distrito Federal, dos Estados Federados ou Municípios.[8]
Além disso, existem as instituições dos Poderes Legislativo Federal (Departamento de Polícia Legislativa e Polícia do Senado Federal) e Judiciário Federal (Polícia Judicial do Supremo Tribunal Federal).[8] A Força Nacional de Segurança Pública também pode atuar em situações de distúrbio público, originadas em qualquer ponto do território nacional, a partir da aprovação dos governadores dos estados,[234] Quando houver ainda o esgotamento do uso das forças tradicionais de segurança pública, nas situações graves de perturbação da ordem, pode o presidente da República, por ordem expressa, autorizar o uso das Forças Armadas, para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO).[235]
O país tem níveis acima da média de crimes violentos e níveis particularmente altos de violência armada e de homicídio. Em 2012, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou o número de 32 mortes para cada 100 mil habitantes, uma das mais altas taxas de homicídios intencionais do mundo.[236] O índice considerado suportável pela OMS é de dez homicídios por 100 mil habitantes.[237] No entanto, existem diferenças entre os índices de criminalidade dentro do país: enquanto em São Paulo a taxa de homicídios registrada em 2020 foi de 6.62 mortes por 100 mil habitantes, no Ceará chegou a 43.37 homicídios para cada 100 mil pessoas, no mesmo ano a taxa nacional foi de 19.89 mortes por 100 mil habitantes.[238]
O Brasil também tem altos níveis de encarceramento e a quarta maior população carcerária do mundo (atrás de Estados Unidos, China e Rússia), com um total estimado em mais 600 mil presos (300 para cada 100 mil habitantes) em todo o país (junho de 2015), um aumento de cerca de 161% em relação ao índice registrado em 2000.[239] O alto número de presos acabou por sobrecarregar o sistema prisional brasileiro, levando a um déficit de mais de 200 mil vagas dentro das prisões do país.[240]
Forças armadas
Ver artigo principal: Forças Armadas do Brasil
Caça Gripen E da Força Aérea
PHM Atlântico, navio-chefe da Marinha
As Forças Armadas do Brasil compreendem o Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira[8] e são a maior força militar da América Latina, a segunda maior de toda a América. O Brasil também é uma das nações com as maiores capacidades bélicas do mundo.[241] O país foi considerado a 9° maior potência militar do planeta em 2021.[242][243] As polícias militares estaduais e os corpos de bombeiros militares são descritas como forças auxiliares e reservas do Exército pela Constituição,[8] mas sob o controle de cada estado e de seus respectivos governadores.[8]
O Exército é responsável pelas operações militares por terra, possui o maior efetivo da América Latina, contando com uma força de cerca de 334 500 soldados. Também possui a maior quantidade de veículos blindados da América do Sul, somados os veículos blindados para transporte de tropas e carros de combate principais.[244]
A Força Aérea Brasileira é o ramo de guerra aérea das Forças Armadas Brasileiras.[245] De acordo com o Flight International e do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, a FAB tem uma força ativa de 77 454 militares e opera em torno de 627 aeronaves, sendo a maior força aérea do hemisfério sul e a segunda na América, após a Força Aérea dos Estados Unidos.[246]
A Marinha é responsável pelas operações navais e pela guarda das águas territoriais brasileiras. É a mais antiga das Forças Armadas brasileiras, possui o maior efetivo de fuzileiros navais da América Latina, estimado em 15 000 homens,[247] tendo o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais como sua principal unidade.[248] A Marinha também possui um grupo de elite especializado em retomar navios e instalações navais, o Grupamento de Mergulhadores de Combate, unidade especialmente treinada para proteger as plataformas petrolíferas brasileiras ao longo de sua costa.[249]
Política externa
Ver artigos principais: Relações internacionais do Brasil e Missões diplomáticas do Brasil
Ver também: Brasil como superpotência emergente
Palácio Itamaraty, a sede do Ministério das Relações Exteriores
Embora alguns problemas sociais e econômicos impeçam o Brasil de exercer poder global efetivo,[250] o país é hoje um líder político e econômico na América Latina. Esta alegação, porém, é parcialmente contestada por outros países, como a Argentina e o México, que se opõem ao objetivo brasileiro de obter um lugar permanente como representante da região no Conselho de Segurança das Nações Unidas.[251][252]
Entre a Segunda Guerra Mundial e a década de 1990, os governos democráticos e militares procuraram expandir a influência do Brasil no mundo, prosseguindo com uma política externa e industrial independente. Atualmente o país tem como objetivo reforçar laços com outros países da América do Sul e exercer a diplomacia multilateral, através das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos.[253]
A atual política externa do Brasil é baseada na posição do país como uma potência regional na América Latina, um líder entre os países em desenvolvimento (como os BRICS) e uma superpotência mundial emergente.[254] A política externa brasileira em geral tem refletido multilateralismo, resolução de litígios de forma pacífica e não intervenção nos assuntos de outros países.[255] A Constituição brasileira determina também que o país deve buscar uma integração econômica, política, social e cultural com as nações da América Latina, através de organizações como Mercosul e CELAC.[8][250][251][252]
Subdivisões
Ver artigo principal: Subdivisões do Brasil
Ver também: Regiões, Distrito Federal, lista de municípios e propostas atuais para novas unidades federativas
Oceano
AtlânticoOceano
PacíficoRegião NorteRegião NordesteRegião Centro-OesteRegião SudesteRegião SulAcreAmazonasParáRoraimaAmapáRondôniaTocantinsMaranhãoBahiaPiauíCearáRio Grande
do NorteParaíbaPernambucoAlagoasSergipeMato GrossoMato Grosso
do SulDistrito
FederalGoiásMinas GeraisSão PauloRio de JaneiroEspírito SantoParanáSanta CatarinaRio Grande
do SulArgentinaBolíviaChileColômbiaGuiana FrancesaGuianaParaguaiPeruSurinameUruguaiVenezuela
Mapa político do Brasil, mostrando a divisão por estados e regiões
O Brasil é uma Federação constituída pela união indissolúvel dos 26 estados, do Distrito Federal e dos 5 570 municípios.[13][256] Os estados e municípios são unidades federativas, isto é, entidades subnacionais autônomas (autogoverno, autolegislação e autoarrecadação) que possuem natureza de pessoa jurídica de direito público. Portanto, como qualquer pessoa em território nacional (cidadão ou estrangeiro), possuem direitos e deveres estabelecidos pela Constituição Brasileira de 1988.[8]
Os estados e municípios elegem seus líderes e representantes políticos e administram seus negócios públicos sem interferência de outros municípios, estados ou da União. De modo a permitir a autoadministração, a Constituição Federal define quais tributos podem ser coletados por cada unidade da federação e como as verbas serão distribuídas entre eles. Estados e municípios, atendendo ao desejo de sua população expresso em plebiscitos, podem dividir-se ou se unir. Porém, não têm assegurado pela constituição o direito de se tornarem independentes.[8]
Atualmente o Brasil é dividido política e administrativamente em 26 estados e um distrito federal. O poder executivo é exercido por um governador e o legislativo pelas assembleias legislativas, sendo todos eleitos quadrienalmente. O poder judiciário é exercido por tribunais estaduais de primeira e segunda instância que cuidam da justiça comum. O Distrito Federal tem características comuns aos estados e aos municípios. Ao contrário dos estados, não pode ser dividido em municípios. Por outro lado, pode arrecadar tributos atribuídos como se fosse um estado e, também, como município.[8]
Os municípios são uma circunscrição territorial dotada de personalidade jurídica e com certa autonomia administrativa, sendo as menores unidades autônomas da Federação. Cada município tem sua própria lei orgânica que define a sua organização política, mas limitada pela Constituição Federal.[8] Há um total de 5 570 municípios em todo o território nacional, alguns com população superior a um milhão de habitantes (São Paulo com mais de doze milhões), outros com menos de vinte mil pessoas;[257] Há ainda alguns municípios com área maior do que estados ou mesmo de países. Altamira, no Pará, com quase 160 mil km², é o maior município brasileiro em território, sendo quase duas vezes maior que Portugal e ainda maior que dez estados.[258][259]
Economia
Ver artigo principal: Economia do Brasil
Mais informações: História econômica, problemas econômicos, agricultura, pecuária, mineração e indústria no Brasil
Sede B3 em São Paulo, uma das maiores bolsas de valores do mundo por capitalização de mercado
O Banco Central (na imagem, a sede em Brasília) é responsável por definir a política monetária
O Brasil é a maior economia da América Latina, a terceira da América (atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá) e a décima terceira maior do mundo em PIB nominal (tendo alcançado sua posição mais alta em 2011, na sexta colocação);[260] em paridade do poder de compra, ocupa o oitavo lugar, de acordo com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.[4] O país tem uma economia mista capitalista com vastos recursos naturais. Estima-se que a economia brasileira irá se tornar uma das cinco maiores do mundo nas próximas décadas.[261] O PIB (PPC) per capita atual é de 9 821,41 dólares (2017).[4] Ativo em setores como mineração, manufatura, agricultura e serviços, o Brasil tem uma força de trabalho de mais de 120 milhões de pessoas (6.ª maior do mundo) e desemprego de 11,7% (38.º no mundo).[262]
O país vem ampliando sua presença nos mercados financeiros e de commodities internacionais e é um BRICS.[263] O Brasil tem sido o maior produtor mundial de café dos últimos 150 anos[21] e tornou-se o quarto maior mercado de automóveis do mundo.[264] Entre os principais produtos de exportação em 2019 estavam: soja, petróleo, minério de ferro, celulose, milho, carne bovina, carne de frango, farelo de soja, açúcar e café. O país também exporta: aeronaves, equipamentos elétricos, automóveis, partes de veículos, etanol, ouro, calçados, suco de laranja, algodão, tabaco, ferro semi-acabado, entre outros produtos. [265][266][267] O país participa de diversos blocos econômicos como o Mercado Comum do Sul (Mercosul), o G20 e o Grupo de Cairns, e sua economia corresponde a três quintos da produção industrial da economia sul-americana. O Brasil comercializa regularmente com mais de uma centena de países, sendo que 74% dos bens exportados são manufaturas ou semimanufaturas. Os maiores parceiros são: União Europeia, Mercosul, América Latina, Ásia e Estados Unidos.[268]
O KC-390, o maior avião de transporte militar já feito na América do Sul,[269] é produzido pela Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo[270]
Colheitadeira em uma plantação de arroz em Rio do Sul, Santa Catarina. O Brasil é o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo[271]
De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) o setor do agronegócio responde por 23% do PIB brasileiro (2013).[272] O Brasil está entre os países com maior produtividade no campo, apesar das barreiras comerciais e das políticas de subsídios adotadas pelos países desenvolvidos.[273] Em relatório divulgado em 2010 pela OMS, o país é o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e União Europeia.[271]
A indústria de automóveis, aço, petroquímica, computadores, aeronaves e bens de consumo duradouros contabilizam 30,8% do produto interno bruto brasileiro. A atividade industrial está concentrada geograficamente nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Campinas, Porto Alegre, Belo Horizonte, Manaus, Salvador, Recife e Fortaleza.[274] Entre as empresas mais conhecidas do Brasil estão: Brasil Foods, Perdigão, Sadia e JBS (setor alimentício); Embraer (setor aéreo); Azaleia e Havaianas (calçados); Petrobras (setor petrolífero); Companhia Vale do Rio Doce (mineração); Marcopolo e Busscar (carroceiras); Gerdau (siderúrgicas) e Organizações Globo (comunicação).
A corrupção, no entanto, custa ao Brasil quase 41 bilhões de dólares por ano e 69,9% das empresas do país identificam esse problema como um dos principais entraves para conseguirem penetrar com sucesso no mercado global.[275] No Índice de Percepção da Corrupção de 2014, criado pela Transparência Internacional, o Brasil é classificado na 69ª posição entre os 175 países avaliados.[276] O poder de compra brasileiro também é corroído pelo conjunto de problemas nacionais chamado “custo Brasil”. Além disso, o país apresenta uma das menores taxas de participação do comércio exterior no PIB, sendo classificado como uma das economias mais fechadas do mundo.[277][278] No Índice de Liberdade Econômica de 2015, por exemplo, o país foi classificado no 118º lugar entre 178 nações avaliadas.[279] Apesar de também ser um problema crônico, desde 2001 os níveis de desigualdade social e econômica vêm caindo, chegando em 2011 aos níveis de 1960, embora o país ainda esteja entre os 12 mais desiguais do planeta.[280]
Turismo
Ver artigo principal: Turismo no Brasil
Baía do Sancho, no arquipélago de Fernando de Noronha, no estado de Pernambuco, eleita a praia mais bonita do mundo pelo TripAdvisor[281]
Cristo Redentor no Corcovado, com o Morro Dois Irmãos ao fundo. O Rio de Janeiro é um dos principais destinos turísticos na América Latina e no Hemisfério Sul[282]
O turismo é um setor crescente e fundamental para a economia de várias regiões do país. O país recebeu 6 milhões de turistas estrangeiros em 2013, sendo classificado, em termos de chegadas de turistas internacionais, como o principal destino da América do Sul e o segundo na América Latina, depois do México.[283]
As receitas de turistas internacionais atingiu 5,9 bilhões de dólares em 2010, uma recuperação da crise econômica de 2008-2009.[284] Os registros históricos de 5,4 milhões de visitantes internacionais e 6,775 bilhões de dólares em receitas foram atingidos em 2011.[285][286]
O Best in Travel 2014, uma classificação anual dos melhores destinos feita pelo guia de viagens Lonely Planet, classificou o Brasil como o melhor destino turístico do mundo em 2014.[287] Entre os destinos mais procurados estão a Floresta Amazônica, praias e dunas na região nordeste, o pantanal no centro-oeste, as Cataratas do Iguaçu no Paraná, praias no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, turismo cultural e histórico em Minas Gerais e viagens de negócios em São Paulo.[288] No Índice de Competitividade em Viagens e Turismo de 2015, o Brasil ficou no 28º lugar entre os 141 países avaliados.[289]
A maioria dos visitantes internacionais que chegaram em 2011 vieram da Argentina (30,8%), dos Estados Unidos (11,5%) e do Uruguai (5,0%), sendo o Mercosul e os países vizinhos da América do Sul os principais emissores de turistas.[290] O turismo interno é um segmento de mercado fundamental para a indústria, uma vez que 51 milhões de pessoas viajaram pelo país em 2005.[290]
Cataratas do Iguaçu, Paraná, na Fronteira Argentina–Brasil. A passarela da Garganta do Diabo possibilita um panorama das quedas a partir do lado brasileiro
Infraestrutura
Ver artigo principal: Infraestrutura do Brasil
Educação
Ver artigo principal: Educação no Brasil
Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), sede de uma das melhores universidades[291] da América Latina[292]
Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma das mais antigas instituições de ensino superior do país
A Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) determinam que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios devem gerir e organizar seus respectivos sistemas de ensino. Cada um desses sistemas educacionais públicos é responsável por sua própria manutenção, que gere fundos, bem como os mecanismos e fontes de recursos financeiros. A nova constituição reserva 25% do orçamento do Estado e 18% de impostos federais e taxas municipais para a educação.[8][293]
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo IBGE com dados de 2013, o analfabetismo ainda afetava 8,3% da população (ou 13 milhões de pessoas).[294] Além disso, 17,8% dos brasileiros ainda eram classificados como analfabetos funcionais.[295] A qualidade geral do sistema educacional brasileiro ainda apresenta resultados fracos.[296] No Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) de 2012, elaborado pela OCDE, o país foi classificado nas posições 55ª em leitura, 58ª em matemática e 59ª em ciências, entre os 65 países avaliados pela pesquisa.[297]
O ensino superior começa com a graduação ou cursos sequenciais, que podem oferecer opções de especialização em diferentes carreiras acadêmicas ou profissionais. Dependendo de escolha, os estudantes podem melhorar seus antecedentes educativos com cursos de pós-graduação stricto sensu ou lato sensu.[293][298] Para frequentar uma instituição de ensino superior, é obrigatório, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, concluir todos os níveis de ensino adequados às necessidades de todos os estudantes dos ensinos infantil, fundamental e médio,[299] desde que o aluno não seja portador de nenhuma deficiência, seja ela física, mental, visual ou auditiva.[300] Outro requisito é ter um bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma prova realizada pelo Ministério da Educação, utilizada para avaliar a qualidade do ensino médio e cujo resultado serve de acesso a universidades públicas através do Sistema de Seleção Unificada (SiSU). O Enem é o maior exame do país e o segundo maior do mundo, atrás somente do vestibular da China.[301] Em 2012, aproximadamente 11,3% da população do país tinham nível superior.[302] Das dez melhores universidades da América Latina, oito eram brasileiras de acordo com a classificação do QS World University Rankings de 2014.[303]
Saúde
Ver artigo principal: Saúde no Brasil
Ver também: Sistema Único de Saúde
Instituto do Câncer do Hospital das Clínicas da USP, o maior complexo hospitalar da América Latina[304]
O sistema de saúde pública brasileiro, o Sistema Único de Saúde (SUS), é gerenciado e fornecido por todos os níveis do governo, sendo o maior sistema do tipo do mundo.[305] Já os sistemas de saúde privada atendem a um papel complementar.[306] Os serviços de saúde públicos são universais e oferecidos a todos os cidadãos do país de forma gratuita. No entanto, a construção e a manutenção de centros de saúde e hospitais são financiadas por impostos, sendo que o país gasta cerca de 9% do seu PIB em despesas na área. Em 2009, o território brasileiro tinha 1,72 médicos e 2,4 leitos hospitalares para cada mil habitantes.[16]
Apesar de todos os progressos realizados desde a criação do sistema universal de cuidados de saúde em 1988, ainda existem vários problemas de saúde pública no Brasil. Em 2006, os principais pontos a serem resolvidos eram as altas taxas de mortalidade infantil (2,51%) e materna (73,1 mortes por mil nascimentos). O número de mortes por doenças não transmissíveis, como doenças cardiovasculares (151,7 mortes por 100 000 habitantes) e câncer (72,7 mortes por 100 000 habitantes), também tem um impacto considerável sobre a saúde da população brasileira. Finalmente, fatores externos, mas evitáveis, como acidentes de carro, violência e suicídio causaram 14,9% de todas as mortes no país.[306][307] O sistema de saúde brasileiro foi classificado na 125ª posição entre os 191 países avaliados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2000.[308]
Energia
Ver artigo principal: Política energética do Brasil
Mais informações: Petróleo no Brasil, Energia renovável no Brasil, Etanol como combustível no Brasil e Programa nuclear brasileiro
Turbinas eólicas em Parnaíba, Piauí; a energia eólica representa quase 10% da matriz energética brasileira[309]
Plataforma petrolífera P-51 da estatal brasileira Petrobras; desde 2006 o país equilibra sua balança de petróleo[310]
O Brasil é o décimo maior consumidor da energia do planeta e o terceiro maior do hemisfério ocidental, atrás dos Estados Unidos e Canadá.[311] A matriz energética brasileira é baseada em fontes renováveis, sobretudo a energia hidrelétrica e o etanol, além de fontes não renováveis como o petróleo e o gás natural.[312] Em 2015, a binacional Usina Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira Brasil–Paraguai, era a maior usina hidrelétrica do planeta por produção de energia.[313]
Ao longo das últimas três décadas o Brasil tem trabalhado para criar uma alternativa viável à gasolina. Com o seu combustível à base de cana-de-açúcar, a nação pode se tornar energicamente independente neste momento. O Pró-álcool, que teve origem na década de 1970, em resposta às incertezas do mercado do petróleo, aproveitou sucesso intermitente. Ainda assim, grande parte dos brasileiros utilizam os chamados “veículos flex”, que funcionam com etanol ou gasolina, permitindo que o consumidor possa abastecer com a opção mais barata no momento, muitas vezes o etanol.[314] Os países com grande consumo de combustível, como a Índia e a China, estão seguindo o progresso do Brasil nessa área.[315] Além disso, países como o Japão e Suécia estão importando etanol brasileiro para ajudar a cumprir as suas obrigações ambientais estipuladas no Protocolo de Quioto.[316]
O Brasil possui a segunda maior reserva de petróleo bruto na América do Sul e é um dos produtores de petróleo que mais aumentaram sua produção nos últimos anos.[317] O país é um dos mais importantes do mundo na produção de energia hidrelétrica.
Da sua capacidade total de geração de eletricidade instalada, que correspondia a 174,8 mil megawatts (MW) em março de 2021 [318], a energia hidroelétrica é responsável por 109 318 MW (62,6%), a energia eólica é responsável por 17 198 MW (9,8%), a biomassa é responsável por 15 228 MW (8,8%) e a energia solar é responsável por 7 881 MW (4,5%).[319][320] A energia nuclear representa cerca de 3% da matriz energética brasileira.[321] O Brasil se tornou uma potência mundial na produção de petróleo, com grandes descobertas desse recurso nos últimos tempos na Bacia de Santos.[322][323][324]Se transformou em um dos 10 maiores produtores de petróleo do mundo (8º lugar em 2020)[325] e deixou de ser um importador, para se tornar um exportador de petróleo. [326]
Vista panorâmica da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira Brasil–Paraguai. Em 2015, era a maior hidrelétrica do mundo em geração de energia.[313][327] Aproximadamente 62% da matriz elétrica brasileira, uma das mais limpas do mundo, é proveniente da hidroeletricidade[320]
Transportes
Ver artigo principal: Transportes do Brasil
Porto de Santos, o mais movimentado da América Latina[328]
BR-116 em Guapimirim, Rio de Janeiro, a maior rodovia pavimentada do país (4 385 km de extensão)[329]
T3 do Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, o mais movimentado do país
Com uma rede rodoviária de cerca de 1,72 milhão de quilômetros, sendo 213 453 km de rodovias pavimentadas (2018) e 11 064 km de rodovias de pista dupla (2015), [330], as estradas são as principais transportadoras de carga e de passageiros no tráfego brasileiro.[331][332]
Os primeiros investimentos na infraestrutura rodoviária deram-se na década de 1920, no governo de Washington Luís, sendo prosseguidos nos governos de Vargas e Gaspar Dutra.[333] O presidente Juscelino Kubitschek (1956–61), que concebeu e construiu a capital Brasília, foi outro incentivador de rodovias. Kubitschek foi responsável pela instalação de grandes fabricantes de automóveis no país (Volkswagen, Ford e General Motors chegaram ao Brasil durante seu governo) e um dos pontos utilizados para atraí-los era, evidentemente, o apoio à construção de rodovias.[334]
Com a implantação da Fiat em 1976 terminando um ciclo de mercado automobilístico fechado, a partir do final da década de 1990 o país vem recebendo grandes investimentos diretos estrangeiros instalando em seu território outros grandes fabricantes de automóveis e utilitários, como Iveco, Renault, Peugeot, Citroën, Honda, Mitsubishi, Mercedes-Benz, BMW, Hyundai, Toyota entre outras.[334] O Brasil é o sétimo mais importante país da indústria automobilística.[335]
Existem cerca de quatro mil aeroportos e aeródromos no Brasil, sendo 721 com pistas pavimentadas, incluindo as áreas de desembarque.[331] O país tem o segundo maior número de aeroportos em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.[331][336] O Aeroporto Internacional de Guarulhos, localizado na Região Metropolitana de São Paulo, é o maior e mais movimentado aeroporto do país. Grande parte dessa movimentação deve-se ao tráfego comercial e popular do país e ao fato de que o aeroporto liga São Paulo a praticamente todas as grandes cidades de todo o mundo. Conforme dados de 2019 da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Brasil tem 37 aeroportos internacionais[337] e 2 464 aeroportos regionais.[338]
O país possuía em 2019 uma extensa rede ferroviária de 31 299 km de extensão[339], a décima maior do mundo.[331] Atualmente, o governo brasileiro, diferentemente do passado, procura incentivar esse meio de transporte; um exemplo desse incentivo é o projeto do Trem de Alta Velocidade Rio-São Paulo, um trem-bala que pretende ligar as duas principais metrópoles do país para o transporte de passageiros,[340] e a Ferrovia Norte-Sul, projetada para ser a espinha dorsal do sistema ferroviário nacional.[341]
Há 37 grandes portos no Brasil, dentre os quais o maior é o Porto de Santos, o mais movimentado do país e da América Latina,[328][342] considerado o 39° maior do mundo por movimentação de contêineres pela publicação britânica Container Management.[343] O país também possui 50 000 km de hidrovias, como a Hidrovia Tietê-Paraná.[331]
Ciência e tecnologia
Ver artigo principal: Ciência e tecnologia do Brasil
VLS-1 no Centro de Lançamento de Alcântara da AEB, no Maranhão
Instituto Butantã, um dos principais centros científicos do mundo[344]
Sirius, um acelerador de partículas do tipo síncrotron localizado em Campinas, São Paulo
A pesquisa tecnológica no Brasil é em grande parte realizada em universidades públicas e institutos de pesquisa. Alguns dos mais notáveis polos tecnológicos do Brasil são os institutos Oswaldo Cruz e Butantã, o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Dono de relativa sofisticação tecnológica, o país desenvolve de submarinos a aeronaves, além de estar presente na pesquisa aeroespacial, possuindo um Centro de Lançamento de Veículos Leves e sendo o único país do Hemisfério Sul a integrar a equipe de construção da Estação Espacial Internacional (ISS).[345]
O Brasil tem o mais avançado programa espacial da América Latina, com recursos significativos para veículos de lançamento, e fabricação de satélites.[346] Em 14 de outubro de 1997, a Agência Espacial Brasileira assinou um acordo com a NASA para fornecer peças para a ISS. No entanto, depois de quase dez anos sem conseguir cumprir o contrato de fornecimento, foi excluído do programa em maio de 2007.[347] Este acordo, contudo, possibilitou ao Brasil treinar seu primeiro astronauta. Em 30 de março de 2006 o tenente-coronel Marcos Pontes, a bordo do veículo Soyuz, tornou-se no primeiro astronauta brasileiro e o terceiro latino-americano a orbitar o planeta Terra.[348]
O país também é pioneiro na pesquisa de petróleo em águas profundas, de onde extrai 73% de suas reservas. O urânio enriquecido na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), de Resende, no estado do Rio de Janeiro, atende à demanda energética do país. Existem planos para a construção do primeiro submarino nuclear do país.[349] O Brasil também é um dos três países da América Latina[350] com um laboratório Síncrotron em operação, um mecanismo de pesquisa da física, da química, das ciências dos materiais e da biologia.[351] O país desenvolve o Programa Antártico Brasileiro e mantém desde 1984 a Estação Comandante Ferraz para pesquisas na Antártica. Segundo o Relatório Global de Tecnologia da Informação 2009–2010 do Fórum Econômico Mundial, o Brasil é o 61º maior desenvolvedor mundial de tecnologia da informação.[352] Ainda outro exemplo é o ingresso em 2018 no chamado grupo de elite da União Internacional de Matemática.[353][354]
O Brasil também tem um grande número de notáveis personalidades científicas. Entre os inventores brasileiros mais reconhecidos estão os padres Bartolomeu de Gusmão,[355] Roberto Landell de Moura[355] e Francisco João de Azevedo,[355] além de Alberto Santos Dumont,[356] Evaristo Conrado Engelberg,[357] Manuel Dias de Abreu,[358] Andreas Pavel[359] e Nélio José Nicolai.[360]
A ciência brasileira é representada por nomes como César Lattes (físico brasileiro codescobridor do méson pi),[361] Mário Schenberg (considerado o maior físico teórico do Brasil),[362] José Leite Lopes (único físico brasileiro detentor do UNESCO Science Prize),[363] Artur Ávila (o primeiro latino-americano ganhador da Medalha Fields)[364] e Fritz Müller (pioneiro no apoio factual à teoria da evolução apresentada por Charles Darwin).[365]
Mídia e comunicações
Ver artigos principais: Comunicações do Brasil, Televisão no Brasil, Imprensa no Brasil e História da Internet no Brasil
Dilma Rousseff no programa Jornal Nacional, da Rede Globo, a segunda maior rede de televisão comercial do planeta[366]
Sede do Grupo Folha, em São Paulo
A imprensa brasileira tem seu início em 1808 com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, sendo até então proibida toda e qualquer atividade de imprensa — fosse a publicação de jornais ou livros.[367] A imprensa brasileira nasceu oficialmente no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1808, com a criação da Impressão Régia, hoje Imprensa Nacional, pelo príncipe-regente Dom João.[368] A Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro jornal publicado em território nacional,[369] começa a circular em 10 de setembro de 1808. Atualmente a imprensa escrita consolidou-se como um meio de comunicação em massa e produziu grandes jornais que hoje estão entre as maiores do país e do mundo como a Folha de S.Paulo, O Globo e o Estado de S. Paulo, e publicações das editoras Abril e Globo.[370]
A radiodifusão surgiu em 7 de setembro de 1922,[371] data do centenário da independência, sendo a primeira transmissão um discurso do então presidente Epitácio Pessoa, porém a instalação do rádio de fato ocorreu apenas em 20 de abril de 1923 com a criação da “Rádio Sociedade do Rio de Janeiro”.[372]
A televisão no Brasil começou, oficialmente, em 18 de setembro de 1950,[373] trazida por Assis Chateaubriand que fundou o primeiro canal de televisão no país, a TV Tupi. Desde então a televisão cresceu no país, criando grandes redes como a Globo, Record, SBT, Bandeirantes e RedeTV. Hoje, a televisão representa um fator importante na cultura popular moderna da sociedade brasileira. A televisão digital no Brasil teve início em 2007, inicialmente na cidade de São Paulo, pelo padrão japonês.[374]
A Internet veio ao Brasil em 1988 por decisão inicial da sociedade de estudantes e professores universitários paulistanos (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, liderada por Oscar Sala) e cariocas (Universidade Federal do Rio de Janeiro e Laboratório Nacional de Computação Científica), mas, somente a partir de 1996, a Internet brasileira passou a ter seus backbones próprios inaugurados por provedores comerciais, iniciando assim o desenvolvimento dessa rede de telecomunicações.[375]
Cultura
Ver artigo principal: Cultura do Brasil
Igreja de São Francisco em Salvador, uma das mais ricas expressões do barroco brasileiro
O núcleo de cultura é derivado da cultura portuguesa, por causa de seus fortes laços com o império colonial português. Entre outras influências portuguesas encontram-se o idioma português, o catolicismo romano e estilos arquitetônicos coloniais.[376] A cultura, contudo, foi também fortemente influenciada por tradições e culturas africanas, indígenas e europeias não portuguesas.[377]
Alguns aspectos da cultura brasileira foram influenciadas pelas contribuições dos italianos, alemães e outros imigrantes europeus que chegaram em grande número nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.[378]
Os ameríndios influenciaram a língua e a culinária do país e os africanos influenciaram a língua, a culinária, a música, a dança e a religião.[379]
A arte brasileira tem sido desenvolvida, desde o século XVI, em diferentes estilos que variam do barroco (o estilo dominante no Brasil até o início do século XIX)[380][381] para o romantismo, modernismo, expressionismo, cubismo, surrealismo e abstracionismo. O cinema brasileiro remonta ao nascimento da mídia no final do século XIX e ganhou um novo patamar de reconhecimento internacional nos últimos anos.[382]
Música
Ver artigos principais: Música do Brasil e Música popular brasileira
Heitor Villa-Lobos em 1922, o mais conhecido compositor sul-americano da história[383]
Tom Jobim, um dos criadores da bossa nova, e Chico Buarque, um dos principais nomes da MPB, no Festival Internacional da Canção de 1968
A música do Brasil se formou, principalmente, a partir da fusão de elementos europeus e africanos, trazidos respectivamente por colonizadores portugueses e escravos. Até o século XIX Portugal foi a porta de entrada para a maior parte das influências que construíram a música brasileira, clássica e popular, introduzindo a maioria do instrumental, o sistema harmônico, a literatura musical e boa parcela das formas musicais cultivadas no país ao longo dos séculos, ainda que diversos destes elementos não fosse de origem portuguesa, mas genericamente europeia.[384]
Na música clássica, contudo, aquela diversidade de elementos se apresentou até tardiamente numa feição bastante indiferenciada, acompanhando de perto – dentro das possibilidades técnicas locais, bastante modestas se comparadas com os grandes centros europeus ou como os do México e do Peru – o que acontecia na Europa e em grau menor na América espanhola em cada período, e um caráter especificamente brasileiro na produção nacional só se tornaria nítido após a grande síntese realizada por Villa Lobos, já em meados do século XX. O primeiro grande compositor brasileiro foi José Maurício Nunes Garcia, autor de peças sacras com notável influência do classicismo vienense.[384]
A maior contribuição do elemento africano foi a diversidade rítmica e algumas danças e instrumentos, que tiveram um papel maior no desenvolvimento da música popular e folclórica, florescendo especialmente a partir do século XX. O indígena praticamente não deixou traços seus na corrente principal, salvo em alguns gêneros do folclore, sendo em sua maioria um participante passivo nas imposições da cultura colonizadora.[384] Com grande participação negra, a música popular desde fins do século XVIII começou a dar sinais de formação de uma sonoridade caracteristicamente brasileira.[384]
A música brasileira engloba vários estilos regionais influenciados por formas africanas, europeias e ameríndias. Ela se desenvolveu em estilos e gêneros musicais diferentes, tais como música popular brasileira, música nativista, música sertaneja, vanerão, samba, choro, axé, brega, forró, funk brasileiro, frevo, baião, lambada, maracatu, tropicalismo, bossa nova e rock brasileiro, entre outros.[384]
Literatura
Machado de Assis, fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL)
Carlos Drummond de Andrade, considerado o maior poeta brasileiro[385]
Ver artigo principal: Literatura do Brasil
A literatura brasileira surgiu a partir da atividade literária incentivada pelos jesuítas durante o século XVI.[386] No séculos posteriores, o barroco desenvolveu-se no nordeste do país nos séculos XVI e XVII e o arcadismo se expandiu no século XVIII na região das Minas Gerais.[386]
No século XIX, o romantismo brasileiro afetou a literatura nacional, tendo como seu maior nome José de Alencar.[387] Após esse período, o realismo brasileiro expandiu-se pelo país, principalmente pelas obras de Machado de Assis, poeta e romancista, cujo trabalho se estende por quase todos os gêneros literários e que é amplamente considerado como o maior escritor brasileiro.[388]
Bastante ligada, de princípio, à literatura metropolitana, ela foi ganhando independência com o tempo, iniciando o processo durante o século XIX com os movimentos romântico e realista. Atingiu o ápice com a Semana de Arte Moderna em 1922, caracterizando-se pelo rompimento definitivo com as literaturas de outros países, formando-se, portanto, a partir do Modernismo e suas gerações as primeiras escolas de escritores verdadeiramente independentes. São dessa época grandes nomes como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector e Cecília Meireles.[389]
Culinária
Ver artigo principal: Culinária do Brasil
Brigadeiro, um doce nacional e uma das mais reconhecidas iguarias da culinária brasileira
Pão de queijo com café e uma pequena garrafa de cachaça, exemplos da culinária do interior do Brasil
A cozinha brasileira varia muito de acordo com a região, refletindo a combinação de populações nativas e de imigrantes pelo país. Isto criou uma cozinha nacional marcada pela preservação das diferenças regionais.[390] Os exemplos são a feijoada à brasileira, considerada o prato nacional do país;[391][392] e os alimentos regionais, como beiju, feijão tropeiro, vatapá, moqueca, polenta, pão de queijo e acarajé.
Ingredientes utilizados pela primeira vez pelos povos indígenas no Brasil incluem a mandioca, guaraná, açaí, cumaru e tacacá. A partir daí, muitas ondas de imigrantes trouxeram alguns de seus pratos típicos, substituindo ingredientes em falta com equivalentes locais. Por exemplo, os imigrantes europeus (principalmente de Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, Polônia e Suíça) estavam acostumados a uma dieta à base de trigo e introduziram vinho, hortaliças e produtos lácteos na culinária local. Quando as batatas não estavam disponíveis, eles descobriram como usar a macaxeira nativa como um substituto.[393]
Os escravos africanos também tiveram um papel no desenvolvimento de culinária brasileira, especialmente nos estados costeiros. A influência estrangeira estendeu-se por ondas migratórias posteriores: os imigrantes japoneses trouxeram a maior parte dos alimentos que os brasileiros se associam com cozinha asiática.[394] O Brasil também tem uma grande variedade de doces, como o brigadeiro, o beijinho e o bolo de rolo. A bebida nacional é o café, e a cachaça é uma bebida destilada nativa do Brasil. A cachaça é destilada a partir de cana-de-açúcar e é o ingrediente principal do coquetel nacional, a caipirinha.[395]
Esportes
Ver artigo principal: Esporte no Brasil
Jogadores com o primeiro ouro olímpico da Seleção Brasileira, conquistado nas Olimpíadas de 2016. O futebol é o esporte mais popular do país[377]
Ayrton Senna, três vezes campeão mundial da Fórmula 1 (1988, 1990 e 1991) e um dos maiores nomes da história do automobilismo
O futebol é o esporte mais popular no Brasil.[377] A Seleção Brasileira de Futebol foi a única no mundo a participar de todas as edições da Copa do Mundo FIFA, sendo vitoriosa cinco vezes: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.[396]
Voleibol, futsal, basquetebol, skate, automobilismo e as artes marciais também têm grande popularidade no país. Embora não sejam tão praticados e acompanhados como os esportes citados anteriormente, tênis, handebol, natação e ginástica têm encontrado muitos seguidores brasileiros ao longo das últimas décadas. No automobilismo, pilotos brasileiros ganharam o campeonato mundial de Fórmula 1 oito vezes: Emerson Fittipaldi, em 1972 e 1974;[397] Nelson Piquet, em 1981, 1983 e 1987;[398] e Ayrton Senna, em 1988, 1990 e 1991.[399] O circuito localizado em São Paulo, Autódromo José Carlos Pace, organiza anualmente o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.[400]
Cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
Algumas variações de esportes têm suas origens no Brasil. Futebol de praia,[401] futsal (versão oficial do futebol indoor),[402] futetênis,[403][404] futebol de saco[405] e futevôlei emergiram de variações do futebol. Outros esportes também criados no país são a peteca,[406] o acquaride,[407][408] o frescobol,[409] o sandboard[410] e o biribol.[411] Nas artes marciais, os brasileiros têm desenvolvido a capoeira,[412] vale-tudo,[413] e o jiu-jitsu brasileiro,[414] entre outras artes marciais brasileiras.
O Brasil já organizou eventos esportivos de grande escala: sediou as Copas do Mundo de 1950, na qual foi o vice-campeão,[415] e 2014, quando ficou em quarto lugar.[416][417] Em 1963, São Paulo foi sede dos Jogos Pan-Americanos e Porto Alegre da Universíada de Verão. A cidade do Rio de Janeiro sediou os Jogos Pan-Americanos de 2007[418] e também os Jogos Olímpicos de Verão de 2016, que contou com a participação de 207 delegações e mais de doze mil atletas.[419] Brasília, originalmente escolhida para sediar a Universíada de Verão de 2019, declinou da escolha, em 21 de janeiro de 2015, alegando que a cidade não teria condições financeiras de sediar o evento. A FISU reabriu o processo de candidatura para uma nova sede para os Jogos.[420]
Feriados
Ver artigo principal: Feriados no Brasil
Data Nome Observação[421][nota 3]
1º de janeiro Confraternização Mundial Início do calendário anual
21 de abril Tiradentes Em homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
1º de maio Dia do Trabalhador Homenagem a todos os trabalhadores
7 de setembro Independência Proclamação da Independência do domínio de Portugal
12 de outubro Nossa Senhora da Conceição Aparecida/Dia das Crianças Padroeira do país/Homenagem às crianças
2 de novembro Finados Dia de memória aos mortos
15 de novembro Proclamação da República Transformação do Império em uma República
25 de dezembro Natal Celebração tradicional de natal
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Notas e referências
Notas
↑ Para fins estatísticos, o IBGE considera que o Brasil tem 5570 municípios, incluindo Brasília – a capital federal – e Fernando de Noronha – um distrito estadual – de Pernambuco.[14]
↑ Os municípios que compõem cada uma das Grandes Concentrações Urbanas estão relacionados na lista de concentrações urbanas do Brasil por população.
↑ Embora não seja um feriado nacional, o carnaval brasileiro é celebrado na terça-feira anterior à quarta-feira de cinzas;[422][423] a sexta-feira santa é uma data cristã na qual a morte de Cristo é lembrada. Assim como o carnaval, não é um feriado nacional, mas é feriado em vários municípios;[424] Corpus Christi é a data em que a Igreja Católica comemora com Procissão Solene o Sacramento da Eucaristia, devido à impossibilidade de fazê-lo no dia de sua instituição, a Quinta-Feira Santa, uma vez que na Semana Santa não se recomendam manifestações de júbilo. É um feriado comum instituído em vários municípios do Brasil, apesar de não ser um feriado nacional.[421]
↑ a b A língua oficial da República Federativa do Brasil é o português (Art. 13 da Constituição). É ainda reconhecida e protegida oficialmente a língua brasileira de sinais (lei n° 10.436 de 24 de abril de 2002). Além disso, as línguas tucano, nhengatu e baniua são reconhecidas oficialmente no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, e a língua alemã é reconhecida como cooficial secundária no município de Pomerode, em Santa Catarina.
↑ A vocalização do /l/ no fim das sílabas geralmente só não acontece em dialetos influenciados pelos vizinhos falantes da língua castelhana, como na pampa rio-grandense – AFI: /bɾɐˈziɫ/ –, entretanto, em dialetos conservadores do interior do planalto, comumente referidos por caipira, o novo /l/ semivogal é um rótico retroflexo, fone herdado de línguas indígenas macro-jê, e não lábio-velar, daí AFI: /bɾɐˈziɻ/, hoje muito menos comum por pressão sociolinguística da variedade de prestígio. Em todas, assume-se uma prosódia de conversa cotidiana. Em uma prosódia mais clara e formal, como a midiática, geralmente usa-se AFI: /bɾaˈziw/. Esta mudança de pronúncia da vogal átona pré-tônica não ocorre nas variedades de outros países falantes da língua portuguesa, que conservam a redução de /o ~ ɔ/ para [u], /e ~ ɛ/ para [i ~ ɨ] e /a/ para [ɐ ~ ə] considerada mais coloquial no Brasil.
↑ O nome da moeda brasileira atual veio de uma antiga moeda que existiu até 1942.
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Abreu, Alzira Alves de (2006). A democratização no Brasil: atores e contextos. Rio de Janeiro: FAPERJ e Fundação Getúlio Vargas. ISBN 85-2250546-2
Adas, Melhem (2004). Panorama geográfico do Brasil 4ª ed. São Paulo: Moderna
Adelman, Jeremy (2006). Sovereignty and Revolution in the Iberian Atlantic. Princeton: Princeton University Press. ISBN 978-0-691-12664-7
Aggio, Alberto; Barbosa, Agnaldo; Coelho, Hercídia (2002). Política e sociedade no Brasil, 1930–1964. São Paulo: Annablume. ISBN 85-7419-242-2
Amantino, Marcia (2008). O mundo das feras: os moradores do Sertão Oeste de Minas Gerais…”
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Brasil#:~:text=Urbaniza%C3%A7%C3%A3o,Vers%C3%A3o%20desktop
“Artigo em destaque
Zenzile Miriam Makeba, também chamada de “Mama Africa”, foi uma cantora, compositora, atriz, embaixadora da boa vontade da ONU e ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid sul-africana. Seus gêneros musicais incluíam o jazz, World Music e Afro-Pop.
Filha de pais suazi e xhosa, Makeba foi forçada a encontrar trabalho ainda criança, após a morte do pai. Ela teve seu primeiro casamento com somente dezessete anos, num relacionamento aparentemente abusivo e do qual deu à luz seu único filho, em 1950. Sobreviveu a um câncer de mama. Seu talento musical foi reconhecido quando ainda era criança e começou a cantar profissionalmente na década de 1950 em conjuntos de seu país natal como os Cuban Brothers, os Manhattan Brothers e um grupo feminino, Skylarks, apresentando uma mistura de jazz, melodias tradicionais africanas e música pop ocidental. Em 1959 Makeba teve uma pequena participação no filme anti-apartheid Come Back, Africa mas que foi suficiente para chamar atenção internacional e então apresentar-se em Veneza, Londres e Nova York. (leia mais…)
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6 de setembro na história
Dia da independência de Essuatíni (1968).
1522 – Juan Sebastián Elcano chega a Sanlúcar de Barrameda em Cádis com apenas um navio e 18 homens, depois de dar a primeira volta ao mundo.
1620 – O navio Mayflower (na imagem) parte do porto de Southampton com destino ao Novo Mundo.
1991 – A cidade de Leningrado volta a se chamar São Petesburgo, e a União Soviética reconhece a independência da Letônia, da Estônia e da Lituânia.
Nasceram neste dia…
1809 – Bruno Bauer, filósofo e teólogo alemão (m.1882).
1913 – Leônidas da Silva, futebolista brasileiro (m. 2004).
1957 – José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal.
Morreram neste dia…
1907 – Sully Prudhomme, escritor francês (n. 1839).
1969 – Arthur Friedenreich, futebolista brasileiro (n. 1892).
1998 – Akira Kurosawa, cineasta japonês (n. 1910).
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Imagem do dia
Interior do pavilhão da Armênia no Centro Panrusso de Exposições, antigo parque de exposições de produtos agrícolas em Moscou, Rússia
(resolução original: 5 146 × 5 146)
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Cabe ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), instaurar o processo de impeachment. Bolsonaro é alvo de mais uma centena de pedidos de abertura da ação, mas Lira, que tem adotado uma posição de aliado ao Palácio do Planalto, ainda não se manifestou sobre o assunto.
Doria se manifesta
Possível adversário de Jair Bolsonaro em 2022, o governador de São Paulo, João Doria, se manifestou pela primeira vez em favor ao impeachment do presidente da República. Nesta terça-feira (7), Doria defendeu a destituição do presidente por considerar que ele “afronta a Constituição”.
“Eu até hoje nunca havia feito nenhuma manifestação pró-impeachment, me mantive na neutralidade, entendendo que até aqui os fatos deveriam ser avaliados e julgados pelo Congresso Nacional. Mas, depois do que assisti e ouvi hoje, em Brasília, sem sequer estar ouvindo, ele, Bolsonaro, claramente afronta a Constituição, ele desafia a democracia e empareda a Suprema Corte brasileira”, disse Doria no Centro de Operações da PM (Copom), onde monitora o esquema especial de policiamento das manifestações.

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